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Alpha
Come From Heaven
· 12 Set 2002 · 08:00 ·
Alpha
Come From Heaven
1997
Caroline


Sítios oficiais:
- Alpha
- Caroline
Alpha
Come From Heaven
1997
Caroline


Sítios oficiais:
- Alpha
- Caroline
Os Alpha, constituídos por Corin Dingley e Andy Jenks (vindo dos Statik Sound System), constituíram a primeira aposta da editora dos Massive Attack, a Melankolic, e destes deriva uma enorme sombra que sempre pairou por cima de “Come From Heaven”, sombra essa aliás com os contornos de toda a cidade de Bristol (Tricky e Portishead incluídos). No entanto, faz mais sentido uma comparação directa ao “pop barroco” de Bacharach, ao post-bop e à tradição das “torch songs” construídas por vozes frágeis e escovas a escorregar lentamente nas tarolas. Enquanto o fumo escorrega pelas alcatifas escuras e pelos copos vazios. Enquanto chove. Enquanto se escuta os perfis sombrios num qualquer bar, numa qualquer casa num dia muito chuvoso de Inverno.

É Verão e é, de certa forma, o dia errado (a estação errada?) para descrever qualquer música de Alpha. Embora elas percorram muito devagar o tempo, da mesma maneira que os dias de Verão passam.

Mas, no entanto, “Come From Heaven” consegue retirar os pormenores que caracterizam esses dias. O contralto de Wendy Stubbs em “Nyquil” faz-nos lembrar uma mulher num vestido escuro encostada ao piano, e a orquestra a tocar num recanto, leve, mas “My Things” consegue também ser um retrato melancólico das horas por baixo das árvores junto aos lagos que só existem nos filmes americanos; o próprio “artwork” descreve-nos atmosferas densas, e nebulosas, quase abstractas, por um lado, e centrando-se em detalhes, por outro. “Come From Heaven” é definitivamente urbano sem ser um cliché, sofisticado sem ser pretencioso e subtil sem ser aborrecido. É Jazz sem se conseguir identificar qualquer trompete ou contrabaixo. Mas o Jazz está lá, seja infinitamente-pós-bop, seja calmo, mas é Jazz. E é requintado (“Rain”).

Também é melancólico sem ser meloso (“Sometime Later”), íntimo sem ser confidente. E festivo logo a seguir. (“Delaney”). E reflectivo e tenso (“Hazeldub”).

Embora sem momentos de tirar o fôlego, baseando-se porventura mais em atmosferas do que em tensões ou batidas, “Come From Heaven” consegue levar-nos às nuvens com as suas repetições fulgurantes, com os seus sussurros intimistas e com as suas colagens surpreendentes. É gentil e uma excelente estreia para o duo de Bristol, que iria continuar a sua carreira com “Pepper”, um álbum de remisturas, e “The Impossible Thrill”, em 2001.
Nuno Cruz
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