DISCOS
Pelican
The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw
· 12 Dez 2005 · 08:00 ·
Pelican
The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw
2005
Hydra Head


Sítios oficiais:
- Pelican
- Hydra Head
Pelican
The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw
2005
Hydra Head


Sítios oficiais:
- Pelican
- Hydra Head
Ao apresentarem-se como uma “fucking triumphant band” (dito pelo guitarrista Laurent Lebec), os Pelican sujeitam-se a dois tipos de interpretação: a primeira é que o quarteto de Chicago é claramente pretensioso (embora os resultados aqui demonstrados demonstrem que demonstrar uma pretensão não seja, então (pausa para respirar), assim tão pretensioso se essa pretensão resultar em resultados tão positivos como este) e até o título deste novo disco é uma prova disso mesmo; a segunda é que os Pelican até sabem o que dizem, pelo menos a julgar por aquilo que The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw encerra. Na verdade, “Pelican” vem mesmo a seguir a “majestoso” no dicionário metal pouco metal. É que apesar de fazerem parte da legião Hydra Head (a editora do líder dos pais Isis), com o segundo disco os Pelican teimam em tirar o “metal” a “instrume(n)tal”; o metal que se fazia sentir muito mais em Australasia, o disco de estreia lançado em 2003. De resto, essa mudança já se tinha tornado mais ou menos visível com March into the Sea, um EP dado a conhecer ao mundo já em 2005.

Triunfante, totalmente. Redentor, igualmente. The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw está verdadeiramente pejado de riffs majestosos, de longos épicos em que a estrutura é tão mutante como, digamos, umas tartarugas ninja (embora o corrector do Word sugira ninfa) nos esgotos de Nova Iorque. A única coisa certa em The Fire... é que a estrutura é uma entidade que os Pelican tratam por tu, algo que manejam com grande astúcia e saber. E esse é um dos factores principais (ao lado das arrastadas paisagens ambientais, de algum experimentalismo e de algumas faixas onde se pode ouvir algum trabalho em guitarras acústicas) para que este disco soe tão variado e diverso e para que pareça reconstruir-se a cada vez que se desenrola – há sempre alguma preciosidade neste disco que parece ter ficado ocultada na audição anterior.

As repetições nos Pelican - e a banda de Chicago insiste bastante nelas - são uma forma de recuperar as forças para nova investida. Senão veja-se a inaugural “Last Day of Winter” que depois da explosão inicial se volta a por de pé para mais um ataque furioso. Aqui parece fazer toda a lógica as nuvens carregadas que se podem observar um pouco por todo o lado no artwork do disco. Na segunda erupção pede-se nas entrelinhas que se encontre a melodia por entre as camadas ruidosas que se vão produzindo. A recompensa, essa, justifica por todos os meios a busca. No final restam os destroços, pois claro, e a percussão que anuncia o fim do ritual e surpreendentemente dá as boas-vindas aos primeiros tons acústicos do disco. “Autumn to Summer”, que até começa em modo rock atmosférico, é um acumular de crescendos que faz justiça à mudança de estações sugerida. Mais lá para o final do tema vêm ao de cima as razões pelas quais os Pelican foram considerados uma banda de metal em primeiro lugar; metal redentor. A destruidora “March Into the Sea”, que tinha surgido inicialmente no tal EP (que até já fazia prever o surgimento de nuvens, embora mais suaves) editado este ano numa versão com mais de 20 min, faz-se de um balancear saudável entre momentos mais serenos e de momentos em que os Pelican simplesmente fodem tudo (de novo as razões, de novo alguns flashbacks do metal). É natural que um pouco por toda a faixa - e em especial entre o minuto 6 e 7 - as razões sejam suficientes para despoletar intenso headbanging. Fossem os Pelican uma banda pop e “March Into the Sea” era obra para se retirar 20 singles orelhudos, tantas são as secções que se juntam cuidadosamente.

O quarto tema, sem título, parece uma espécie de reprise de “Planet Caravan”, dos Black Sabbath sem a percussão a piscar o olho a um certo a reuniões psicotrópicas em redor de uma fogueira e com detrimento da sensação cigana: há um corrupio de guitarras acústicas que não raras vezes se entrecruzam, há ainda uma sensação quase campestre mesmo quando o volume das guitarras aumenta. Se a comparação não convencer, imagine-se Ben Chasny num feature curioso com uns Pelican em dias sensíveis e tirem-se as devidas conclusões.

O único problema em The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw é que os Pelican não souberam acabar tão bem como começaram. Das últimas três faixas, só “Aurora Borealis” consegue manter o interesse sempre lá em cima. “Red Ran Amber”, embora contenha algumas sequências interessantes, acaba por ser um dos temas mais desinspiradas do disco e “Sirius”, apesar do início prometedor, acaba por lhe seguir o caminho, juntando-lhe alguma previsibilidade. Mas nenhuma destas razões prejudica seriamente este disco. Talvez The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw desse um fantástico longo EP ou um espantoso disco mais curto, ou então os Pelican prepararam-se para fazer um brilhante terceiro disco. Seja qual for a decisão, o melhor é estar por perto para o conferir. Mas por enquanto, The Fire in Our Throats will Beckon the Thaw é sem duvida alguma o melhor disco do ano na categoria metal não metal.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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