DISCOS
Burnt Friedman
The Pestle
· 23 Fev 2017 · 12:01 ·
Burnt Friedman
The Pestle
2016
Latency Recordings


Sítios oficiais:
- Burnt Friedman
- Latency Recordings
Burnt Friedman
The Pestle
2016
Latency Recordings


Sítios oficiais:
- Burnt Friedman
- Latency Recordings
Uma lição de integridade.
Uma das virtudes de um artista é conhecer-se. Com isso, aprender, persistir, evoluir. E aprecia-se a sua consistência intelectual na difícil viagem pelo tempo, a sua relação com a realidade, com a modernidade. Se se conseguir manter à frente dos seus parceiros, revitalizar-se, maior o mérito. O alemão Burnt Friedman definitivamente consegue – há décadas – estar à frente de muitos. Com múltiplos desvios, ele mantém a integridade intacta; poucos o conseguem.

A minha relação com Friedman começou com Drome em 1993; confesso que, ainda hoje, The Final Corporate Colonization Of The Unconscious é um dos mais intrigantes discos – levou-me anos a percebê-lo e a amá-lo. Burnt Friedman começou e nunca mais parou. Nonplace Urban Field, Flanger, The Nu Dub Player, Nine Horses (com David Sylvian), múltiplas colaborações com Jaki Liebezeit. São quase três décadas de produção. Três décadas a persistir e a evoluir. Música inteligente sem ser abusivamente matemática.

O Universo sonoro do alemão ainda hoje está em expansão: electrónica experimental, dub, música do mundo – África em especial –, música ambiental fora do elevador, jazz, techno, IDM, glitch; existencialismo, filosofia, niilismo, ficção-científica, cosmos; e a romantização da eterna luta entre a consciência e o subconsciente – o que estará para além dos sonhos? Com tanto diante dos olhos, a parisiense Latency atreveu-se ao mais difícil: fazer uma espécie de best of de Friedman de temas que ele nunca editou.

The Pestle é, objectivamente, uma compilação. Contudo, há imenso para além da simplista ideia de que alguém sacou memórias da prateleira do tio Burnt para servir os curiosos, os melómanos curiosos. Há a integridade de um músico que, ao longo de anos, experimentou de tudo. E não foi preciso o autor morrer para se ter a oportunidade dos extras. The Pestle é de matéria gerada de 1993 a 2011. Dezoito anos de experiências longe de datadas. Passado? Sim! No entanto, tudo soa como se tivesse sido acabado de fazer. Subjectivamente: é um álbum, e excelente!
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com

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