DISCOS
Cat Power
You are Free
· 22 Abr 2004 · 08:00 ·
Cat Power
You are Free
2003
Matador


Sítios oficiais:
- Cat Power
- Matador
Cat Power
You are Free
2003
Matador


Sítios oficiais:
- Cat Power
- Matador
Primeiro que tudo, permitam-me confessar a paixão platónica que nutro por Chan Marshall (AKA Cat Power). O sentimento tende a avolumar-se, e Moon Pix foi essencial para que passasse a prestar culto àquela que creio ser a mais fascinante songwriter da sua geração. Perdoem-me os incrédulos, saúdem-me os fiéis. Da aura ímpar que irradia nos videoclips às inesquecíveis composições que tem vindo a acumular nos seus discos, tudo é hipnótico e cativante no universo de Marshall (ao ponto de ter roubado o lugar a Björk no meu santuário). A fragilidade que canta une-a a quem a escuta, criando um pacto de intimidade que, se mal gerido, pode levar aos embaraçosos episódios tão familiares na carreira de Marshall: esgotamentos em palco e encontros bizarros com admiradores. Mito ou realidade? "Toda a verdade, no Google" - diria o Artur Albarran. Em todo o caso, a má fama que ganhou pelas desoladoras prestações em palco nem sequer chega a abalar a minha devoção. Foi por isso que não arrisquei a deslocação ao Porto para assistir ao seu concerto. Por vezes, a ignorância é uma bênção.

A voz agridoce da minha musa indie faz mais sentido quando escutada na solidão. You Are Free é um passo de gigante no imparável progredir de Marshall como songwriter e é precisamente de canções que este disco é feito. Consta que baptizou o álbum com uma frase que leu numa tabuleta junto a uma porta. O título representa sinal verde para interpretarmos livremente o conteúdo do disco, além de tudo mais.
“I don’t blame you” dita o tom confessional do disco num desabafo projectado no reflexo da própria cantora - embora a própria o negue, todos sabemos que é essa a verdade - e, sem que possamos recuperar o fôlego, o ritmado “Free” surpreende por ser um irresistível convite ao pezinho de dança - chegou a ter lugar no set de um DJ nova-iorquino. Chan Marshall sensibiliza sem nunca roçar o lamechas (se não fosse tão cristalino, “Names” corria o risco de acabar numa reportagem da TVI), revela mestria na arte de criar melodias de embalar (“Babydoll” ou “Half of you” - ambas evidenciam uma candura à flor da pele) e encanta nos duetos com Eddie Vedder, que, tal como Dave Grohl, favorece e diversifica o álbum com uma prestação tão preciosa como discreta.

Perante um tão desarmante partilhar das páginas do seu diário, seria incapaz de concluir este comentário de outra forma que não a rendição incondicional aos encantos de Chan Marshall, enquanto exímia gestora de emoções em estado bruto.You Are Free perpetua esse encanto e cumpre as expectativas, elevando ainda mais a fasquia. “Cat Power is a good cop, or at least she tries to be” - é como a Matador se refere à mentora do projecto, no DVD Everything Is Nice. Há muito que tem o meu coração preso.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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