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Linda Martini
Sirumba
· 01 Abr 2016 · 11:15 ·
Linda Martini
Sirumba
2016
Universal


Sítios oficiais:
- Linda Martini
- Universal
Linda Martini
Sirumba
2016
Universal


Sítios oficiais:
- Linda Martini
- Universal
A foda da vida dos Linda Martini.
Sete é número quase sagrado em muitos domínios e, aparentemente, até na música. Simboliza a intuição, a perfeição, a consciência, a vontade, a totalidade… Simboliza, também, que os Linda Martini têm um disco novo. Sirumba de sua graça, torna-se, a partir de hoje, esse sete, num alinhamento que se começou a definir em 2005, ano em que lançaram o primeiro EP Linda Martini.

Estão diferentes, não aquele diferente facilmente indiferente, não. Diferentes porque, agora, esperam, não porque seja bom ou mau (Nietzsche explica no Para Além do Bem e do Mal), mas porque adquiriram a paz de espírito que leva a sua música para além dela mesma, mais complexa e intrincada, mais madura. Continuam os duplos significados, as “frases fortaleza impenetrável” com que construíram os, extraordinários diga-se, monstros musicais Olhos de Mongol e Casa Ocupada, mas a maturidade sobrepõe-se, agora parecem já saber apreciar um copo de maduro tinto, respiram tempo se assim o quisermos definir, e queremos.

“Unicórnio de Sta. Engrácia”, primeiro single deste Sirumba já o indicava. A lírica estende-se ao tempo porque tempo é o que ela tem e “sair a meio é meia-foda”. A frase já não acaba retumbante como um trovão, pelo contrário, é tempestade para ficar, para olharmos esgazeados enquanto os relâmpagos se sucedem sem fim à vista e a chuva não cessa de cair. É isto, é tempo, é maturidade, é saber apreciar o momento multiplicando-o ad eternum por todos os sentidos até ao fim, ao fim do magnificente “O Dia Em Que A Música Morreu”… mas dele falaremos mais à frente.

O rock pungente continua lá, as guitarras suam riffs como antigamente, mas nota-se uma cadência mais propositada, isto é, já não é um grito, mas um statement de existência, um “Eu Sou”! em formato manifesto musical. Músicas como “Preguiça”, “Comer Por Dois” ou “Dentes de Mentiroso” explicam este conceito na perfeição. Então esta última, que ao vivo será qualquer coisa de brutal, é a prova acabada desse auto-controlo, dessa definição.

Se em “Amor Combate” a dor estava presente quase como uma angústia, como um desespero que precisa de ser rapidamente e em força evacuado, como se dum soldado ferido se tratasse, nesta “Dentes de Mentiroso” os Linda Martini não dão o flanco. Atiram-se, mas com cabeça, não de cabeça e “a vida acontece aos outros, tu estás a pensar que a vida acontece aos outros, dentes de mentiroso” se ouve, assim, com o passo sólido de quem já percebeu o que o rodeia há muito tempo e serenamente agir, daquele modo forte e decidido que decide uma guerra ou constrói um amor.

E então, se pensávamos ter encontrado a melhor música, na sua totalidade lírica e musical, eis que nos chega “O Dia Em Que A Música Morreu”, um hino difícil de definir, tal a sua beleza e intensidade e que até sons de sacos do lixo mete ao barulho, mas…”quando a música morreu, sem estrondo ou aflição, o rádio emudeceu, ficou órfão da canção, e no poço do ascensor, o espelho em comoção, por não ter nenhum cantor” aí percebemos que não é, nem poderia ser, uma meia-foda. Sirumba é a foda da vida dos Linda Martini.
Fernando Gonçalves
f.guimaraesgoncalves@gmail.com
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