DISCOS
Jibóia
Masala
· 03 Fev 2016 · 21:38 ·
Jibóia
Masala
2016
Lovers & Lollypops


Sítios oficiais:
- Jibóia
- Lovers & Lollypops
Jibóia
Masala
2016
Lovers & Lollypops


Sítios oficiais:
- Jibóia
- Lovers & Lollypops
O Oriente devia estar mais próximo.
Óscar Silva concentra-se no Médio e no Extremo Oriente para o projecto Jibóia, mas talvez devesse passar os olhos pela mitologia grega e romana. Em Roma, Janus, conhecido pela figura de duas caras, era visto como o deus de todos os princípios. Masala não é um princípio, mas é um virar de página. Masala é o outro lado da moeda que foi Jibóia até aqui. Aquele que é o primeiro álbum a sério de Jibóia (tem oito faixas, mais de 33 minutos de música) é negro. O que estava para trás não o era.

Em conversa para outros meandros, Óscar Silva disse-me que neste disco “mesmo as músicas que são mais de festa, [são de] uma festa que se calhar vai acabar mal”. Minutos mais tarde, na mesma conversa, perguntei-lhe pela descrição do género de música que faz como “Prince of Persia on acid”. Resposta: “É um ácido que pode não correr muito bem.”

Não é por acaso. Para trás ficou também a parceria com Ana Miró (Sequin) e agora os ritmos electrónicos foram substituídos pela bateria de Ricardo Martins (Papaya, Cangarra, Lobster). Há um detalhe-que-não-é-detalhe que pode passar à margem de muitos: a produção é de Jonathan Saldanha (HHY & The Macumbas). Quem conhece o trabalho de Jonathan Saldanha percebe o porquê de ser relevante a menção. Quem não conhece, com facilidade pode encontrar faixas de projectos aos quais está ligado para passar a compreender.

Este outro lado da moeda de Jibóia mantém a ligação às sonoridades orientais de países distantes e desconhecidos. Mantém essas referências, embora tenha perdido a suavidade dada pela voz feminina (a pouca voz existente agora é do próprio Óscar Silva) e adquirido as componentes mais duras do analógico da bateria. Continua dançável, mas há uma menor tendência para dançar. Quer-se abanar a cabeça, mas não se sabe muito bem o que fazer com o corpo.

Masala é um passo interessante para o projecto, mas falta algo. Falta alguma densidade, alcançada em faixas pós-rockianas como “Oslo”, talvez não por acaso a última do disco. Há uma tentação para escrever que falta uma qualquer especiaria. Talvez seja um paladar adquirido ao vivo. Talvez seja um processo a atingir para o próximo trabalho. Há que acompanhar, portanto.
Tiago Dias
tdiasferreira@gmail.com
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