DISCOS
Lightning Bolt
Fantasy Empire
· 23 Mar 2015 · 22:28 ·
Lightning Bolt
Fantasy Empire
2015
Thrill Jockey


Sítios oficiais:
- Thrill Jockey
Lightning Bolt
Fantasy Empire
2015
Thrill Jockey


Sítios oficiais:
- Thrill Jockey
Extra-absorvente.
Há demasiadas coisas incríveis na vida dos Lightning Bolt. Uma delas é o seu novo álbum Fantasy Empire, o sétimo da carreira, mas já lá irei. Outra, igualmente relevante, é o facto de conjugarem tão bem a parte “difícil” - lembrem-se, isto são dois gajos, um baixo distorcido, uma bateria frenética, e volume bem alto – com a curiosa acessibilidade que lhes granjeou fãs um pouco por todo a parte. O que Brian Gibson (baixo) e Brian Chippendale (bateria e voz) fazem é agressivo, sim. Apenas nunca é propriamente um freestyling de noise. Existe uma estrutura reconhecível, e uma série de ganchos em cada uma das suas músicas. Por algum motivo foram parar a uma editora como a Thrill Jockey.

Fantasy Empire está repleto desses ganchos. Pode nunca ser linear. Pode até mudar de direcção algumas vezes, voltar ao início, retomar a parte pela qual não foi antes, etc. É uma conjugação complicada, que os Lightning Bolt fazem como ninguém. A sua música nasce e more nas canções, por mais incrível que pareça. Cada intro de Fantasy Empire corre logo o “risco” de ser reconhecido num dos célebres concertos no meio do público que eles gostam de dar. E faz todo o sentido que o façam. Afinal de contas, por mais que se possa pensar em nomes de géneros ou semelhanças, tal como stoner-rock-com-anfetaminas de “Over The River And Through The Woods”, ou Motorhead em velocidade warp em “Horsepower”, a palavra-chave é “quase”. Pois tudo é absorvido pelo vórtice Lightning Bolt, da mesma forma que o moche à volta da banda não cai por cima dos dois músicos.

“Mythmaster” é outro bom exemplo da forma como as músicas aqui se ramificam. Começando por manter um ritmo relativamente simples, tornar-se agressiva-de-dentes-cerrados, e acabar por parecer música de filme de terror. “Runaway Train”, por sua vez, arranca ao estilo de uma marcha de bulldozers, passando mais tarde para uma sala de espelhos distorcidos, nos quais os riffs batem constantemente, atingindo-nos com frequência.

“Snow White (& The 7 Dwarves Fans)” sao mais de 11 minutos de Lightning Bolt-ismos que encerram um disco que acaba como se tivéssemos feito jogging numa centrifugadora. Há uma formula Lightning Bolt, sem dúvida. Só que não precisa de ser guardada a sete-chaves. Esconde-se à vista de todos, e Fantasy Empire é mais uma prova que está muito longe de esgotar todas as suas variantes. A sério que podem dizer, se vos pedirem para descrever esta banda, que “Lightning Bolt é Lightning Bolt”. Seria demasiada má vontade levarem-vos a mal.
Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com
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