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Pharmakon
Abandon
· 06 Nov 2013 · 15:53 ·
Pharmakon
Abandon
2013
Sacred Bones Records


Sítios oficiais:
- Sacred Bones Records
Pharmakon
Abandon
2013
Sacred Bones Records


Sítios oficiais:
- Sacred Bones Records
Ó vós que entrais, abandonai toda a esperança.
Em primeiro lugar existe o grito. Quando nascemos e somos confrontados com os nossos sentidos pela primeira vez, a reacção natural é gritar, ceder ao pânico de nos encontrarmos num ambiente hostil por comparação com aquela que foi a nossa casa durante nove meses, um aconchego seguro e livre de tudo o resto - apenas um cordão, que para nós é como se fora invisível, a ligar-nos ao mundo real. Em "Milkweed / It Hangs Heavy", esse grito surge exactamente da mesma forma, uma reacção ao que há-de vir, lembrete de que há algo humano por detrás da maquinaria e poder electrónico que se segue. A garganta de Margaret Chardiet não aparece aqui por acaso ou por uma qualquer noção de "extremismo musical"; há algo muito mais filosófico por detrás.

Filosófico, tal qual o seu nom de guerre, embora o indeterminismo não se faça sentir ao longo dos vinte e poucos minutos que dura o disco de estreia da artista norte-americana (cinquenta, com a faixa bónus gravada ao vivo). Abandon é um disco noise, mas ao contrário de muitos discos do género que se apoiam na improvisação - no que não se pode determinar, portanto - cada faixa aqui presente foi cuidadosamente laborada, cada loop e cada rasgo nos sintetizadores e cada pedaço de agressão industrial colocados no sítio correcto. O que também pode constituir uma certa crítica: não há na música de Abandon qualquer surpresa, nunca somos apanhados repentinamente por um qualquer som inesperado.

Trata-se, pois e apenas, de um bom disco noise e um motivo mais para continuar a seguir bem de perto a Sacred Bones, onde foi editado. Abandon não reinventa a roda da power electronics (aliás, "Crawling On Bruised Knees" soa assaz colada aos Whitehouse) mas injecta alguma vitalidade no género nos tempos que correm, em que qualquer pessoa pode fazer isto em casa. Claro que discos do tipo, bons discos do tipo, só podem ser criados por mãos e mentes cuja insanidade as mantenha sãs. Gente que não tenha parado de gritar desde o primeiro momento em que foi abordada pela luz.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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