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Hype Williams
One Nation
· 21 Dez 2011 · 16:23 ·
Hype Williams
One Nation
2011
Hippos in Tanks


Sítios oficiais:
- Hippos in Tanks
Hype Williams
One Nation
2011
Hippos in Tanks


Sítios oficiais:
- Hippos in Tanks
É caso para dizer «believe the hype». Mesmo. MESMO.
Confissão: disco que saiu há muitos meses atrás neste ano que finda. Mas quem se confessa tem perdão e neste caso, a máxima “mais vale tarde do que nunca”, passe a redundância, nunca soube tão bem, nunca esteve tão certa. Os Hype Williams - duo britânico infestado de radioaktivitat berlinense, pois assentaram arraiais na capital europeia da eletrónica - assumem-se como pontas de lança do hipnagógico minimalista, numa releitura estética de art povera que contrasta com o fausto latente na indústria musical. Esta postura assume ainda maior ironia no nome, homónimo do famoso produtor e realizador de vídeos hip-hop que foi dos primeiros Wu-Tang Clan ao Jay Z de agora e até Aguilera – o verdadeiro Hype Williams – ícone do maximalismo glamoroso e por vezes muito bullshiteiro da indústria do Hip Hop e Rn'B via canais de música na TV e rádios FM. Figura essencial do bom e do mau, apanhada na tal cronologia evolutiva-negativa do “sem money é uma coisa” mas “com money, muito money é outra”. O duelo persistente entre verdadeira cultura e “arte” orientada para os “big bucks”.

Aqui é “big = sucks”. Tudo é numa escala pequena, a grandiosidade surge mas vista à lupa. Ironia das ironias é este anti-show-off e anti-bling ter-se tornado durante o ano algo brilhante e verdadeiro ouro sonoro, hoje amplamente referenciado como um dos discos do ano. Contudo, se o ouvirmos bem, é mesmo. Aliás, logo à primeira audição dá-nos esse vislumbre. A hype às vezes também tem razão. Estamos perante um disco à partida com pouca coisa, com curtas viagens hipnóticas muito simples mas densas, absolutamente noturnas e intensas. Uma pequena nação que tem a força de agarrar e repetidamente agarrar mesmo quem a ouve. Sem largar. E isso já não é pouca coisa. Há quem diga que parecem os Cabaret Voltaire a fazer chillwave. É uma boa analogia. Então em “Mitsubishi” esse pensamento dá-nos boleia. Outros falam em “se Ariel Pink se dedicasse à eletrónica era isto”. Se calhar, sim é muito lo-fi mas Ariel canta muito e eles não cantam, as vozes surgem a espaços e declamadas.

A tónica é decidadamente instrumental e a verdade de “fónes” na cabeça é que tanto estamos num ambiente perdido de um house sem telhado, Theo Parrish ainda a pensar em construir a batida, como embebidos em laivos de dub e acentuação Replex à procura de um novo gémeo Aphex ou de uma pré-Chain Reaction. Como se pré-2012 afinal não passasse de 1992 que por sua vez afinal não passa de um novo 1982. VHS!, VHS! gritam incansáveis as memórias, e de repente estamos a ouvir Autechre dos primórdios armados em Burial numa cassette que um amigo nos gravou com pouca qualidade. Basta ouvir “Warlord” por exemplo. O engraçado aqui é que Burial já não é do tempo das cassettes mas para quem sonha com cassettes (eu sonho!) provavelmente este é o destino do expresso do sonho final. Chegámos. O tempo parece que pára mas não sabemos bem onde. Passado, presente ou futuro? Hype Williams também já não é do tempo das BIC's nas AGFA ou TDK's, mas também já não é do tempo do CD. Pelo menos por enquanto, esta obra-prima de 2011 em frente só se apanha em mp3 e vinil. Chamem-lhe hypnagogic pop, eletrónica psych-lo-fi, tudo lhe assenta como uma luva desde que com o prefácio “vale mesmo a pena”. E ainda tem um dos títulos do ano “Your Girl Smells Chung When She Wears Dior”. Obrigado 2011.
Nuno Leal
nunleal@gmail.com
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