DISCOS
Radiohead
The King Of Limbs
· 28 Mar 2011 · 15:11 ·
Radiohead
The King Of Limbs
2011
XL Recordings / Popstock


Sítios oficiais:
- Radiohead
- XL Recordings
- Popstock
Radiohead
The King Of Limbs
2011
XL Recordings / Popstock


Sítios oficiais:
- Radiohead
- XL Recordings
- Popstock
Há nódoas que caem nos melhores panos, só que esta não chega a manchar.
Quem parte para The King Of Limbs com a expectativa de encontrar um In Rainbows, parte dois ou uma sequela para Kid A, pode desde já largar o mediafire porque o que há aqui é um distanciamento de quase tudo a que os Radiohead nos foram habituando desde Ok Computer. Isto de ser responsável por alguns dos discos mais importantes dos últimos vinte anos deve ser tramado.

As guitarras permanecem, após alguns anos de repouso que viriam a terminar em 2007, com In Rainbows. Mas estão cá de forma diferente, a dever mais aos breaks e estilos percussivos que a acordes, como em “Morning Mr. Magpie”. Falamos delas como quem lembra o maestro da orquestra, batuta em riste e com o dever de comandar as tropas. Há as aparições acústicas de “Give Up The Host”, a mais fascinante canção deste disco de 37 minutos, trazendo à memória o lado mais soturno de The Bends. De resto, Jonny Greenwood e Ed O’Brien puderam passear reinventar-se diante de sintetizadores e samplers. Mas, como é óbvio, nada disto é novidade alguma.

Phil Selway, por seu lado, quase parece ter deixado as baquetas em casa. A proliferação de drum machines, divinamente combinadas com pratos de choque e tarolas aqui e ali, são o eco de uma receita vencedora que não esquecemos em “15 Step” (mediafire já, para quem só ouviu In Rainbows a partir de “Bodysnatchers”). Mesmo “Separator”, em que Selway ganha maior evidência, é conduzida por uma linha de bateria acústica em loop, deixando o destino à mercê de Yorke e respectivos devaneios em falsetto.

Claro que nem tudo é herança do passado ou sequer um déjà vu de momentos irrepetíveis. Há as inspirações de Yorke, que recrutam Four Tet e Burial para a ribalta, tendo “Feral” como apoteose dançável num disco que é, acima de tudo, cinzento. E acabamos por ver que, após perseguirmos um discurso que se assemelhasse em vários discos da carreira dos Radiohead, percebemos que é em Hail To The Thief que os britânicos descobrem uma ponta de saudade. Aquela indefinição própria de quem acaba de assinar dois discos de cortar relações com a família, ajoelhemo-nos perante Kid A, encontrámo-la em Hail To The Thief, primeiro, e agora em The King Of Limbs.

A mestria não acabou, só se tornou mais espaçada temporalmente. Não é possível fazer dois In Rainbows seguidos, e nem nós queríamos isso. Os desarranjos musicais e emocionais deste disco são só reflexo de uma carreira que precisa de espaço, de ar fresco e de uma fuga de escape (ver epifania de Yorke em “Lotus Flower”). Por isso é que The King Of Limbs só tem 37 minutos. Por isso é que é uma redescoberta artística que merece o cantinho que ainda não obteve ao lado de obras como Ok Computer, Kid A e, insistimos, In Rainbows. Por isso é que não deixa mancha.
Simão Martins
simaopmartins@gmail.com
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