DISCOS
Linda Martini
Casa Ocupada
· 02 Dez 2010 · 10:26 ·
Linda Martini
Casa Ocupada
2010
Lisboagência / iPlay


Sítios oficiais:
- Linda Martini
- Lisboagência
Linda Martini
Casa Ocupada
2010
Lisboagência / iPlay


Sítios oficiais:
- Linda Martini
- Lisboagência
Nostalgia hardcore.
Ao segundo disco os Linda Martini mostram-se nostálgicos. Nada que cause aversão - a nostalgia está, inclusive, na moda. Casa Ocupada remete aos primórdios da banda, quando andavam a extravasar a energia da juventude [sónica] pela Praça de Espanha, entre festas e concertos hardcore, entre colchões de pulgas e malta a chutar cavalo. E é esta mesma veia (punk, não drogada) que é resgatada para o sucessor de Olhos de Mongol, disco que colocou meio país apaixonado por uma desconhecida italiana, lado a lado com a vertente mais pós-rock que temas como "Dá-me A Tua Melhor Faca" e "A Severa" exemplificavam.

É fantástica a forma como os Linda Martini coadunam os momentos mais melódicos e atmosféricos com explosões repentinas de energia punk ("Elevador" é exemplo disso). Às diatribes sonoras de guitarras em choque, juntam-se gritos de revolta e momentos para o moshpit. A riqueza dos textos continua lá, esse que é um dos atributos maiores dos Linda Martini, ainda que seja apossado por miúdos que trocaram o MSN pelo Facebook (insere-se o escriba neste último). Claro que não se chega ao ponto de dizer que os Linda Martini «são tipo Mão Morta, mas melhor» (blasfémia absoluta), mas das bandas nascidas nos últimos dez anos, são indiscutivelmente figura de ponta. Numa altura em que se discute a portugalidade ou falta dela, os Linda Martini conjugam o melhor espírito da típica saudade portuguesa às melhores guitarras que se fazem no estrangeiro. Fado Noise, se preferirem.

"Mulher-A-Dias", que tem circulado bastante nas rádios nestas últimas semanas, é aquilo que se explicou em cima: um riff pesado como um desastre de automóvel e a beleza poética de Vi o dia perecer, a dançar no vendaval / Como um pano amarrotado que se esquece no estendal. "Nós Os Outros" é uma canção sobre a revolta que existe na saudade e na impossibilidade de reviver o passado, por entre uma óbvia carga erótica. Não podia faltar também a referência à influência mais destacada, em "Juventude Sónica", que já fez de Parecemos putos, não temos aulas amanhã o grito de guerra deste fim de ano - e possivelmente dos próximos. Mas o melhor reserva-se para o final; se em "Lição De Vôo Nº1" se encontrava uma canção com potencial para salvar um romance, "Cem Metros Sereia" supera-a. Tocada à velocidade do sexo, faz de foder é perto de te amar uma das melhores declarações românticas dos últimos tempos e um sério candidato a enfeitar paredes surdas em recônditos bairros lisboetas. E não só através de latas de spray: há-de haver gente a foder a um canto ao som dos Linda Martini. E, verdade seja dita, porque não o fariam?
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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