DISCOS
Senking
Pong
· 08 Out 2010 · 10:01 ·
Senking
Pong
2010
Raster-Noton


Sítios oficiais:
- Senking
- Raster-Noton
Senking
Pong
2010
Raster-Noton


Sítios oficiais:
- Senking
- Raster-Noton
Um videojogo clássico descobre a veia dubstep num produtor cada vez mais virado para as atmosferas grandiosas do cinema.
Vem de longe a relação entre os videojogos e a música electrónica. Quando Senking decide recuperar o jogo Pong como mote para um álbum com o mesmo nome, isso não surpreende assim tanto. Com uma mecânica tão primária quanto viciante (o duelo de duas raquetes através de uma bola), o clássico Pong ainda hoje é mundialmente reconhecido como emblema da primeira era dos videojogos operados com moedas. A Atari, fabricante que o lançou em 1972, preserva desses tempos a fama de ser uma companhia muito ligada à contra-cultura e ao consumo de drogas, o que só explica também a proximidade entre a programação de jogos e a música durante a década psicadélica.

Além disso, o som característico da esfera a tabelar nas raquetes do Pong não difere muito dos mais minimalistas recursos que os diferentes produtores da Raster-Noton utilizam nos seus discos. Fazendo recuar a audição até aos tempos gloriosos do Pong e de outros jogos de “bola na parede” (Arkanoid e além), é possível reparar como muitos destes proporcionaram, mesmo que de modo inconsciente e lúdico, a primeira colaboração musical entre duas pessoas através dos movimentos verticais efectuados no controlo de cada um.

Neste seu quinto disco pela Raster-Noton, Senking (Jens Massel) deixa-se guiar pelo charme básico do Pong para criar um dubstep magistral e pronto para funcionar como cinema nos ouvidos. Sabendo de antemão que é praticamente redundante frisar no dubstep as suas características mais nocturnas, amplamente presentes no disco em cima da secretária, diríamos que o Senking de Pong andará perto de um Loefah que preferiu a sabedoria caseira dos discos ao que se aprende na rua. Leva isso a que os contornos destes ritmos ciclópicos sejam mais límpidos por oposição ao dubstep rude e efervescente, que descrevia alguns bairros de Londres como zonas pouco convidativas para um passeio.

Como seria de esperar, os sons do Pong marcam também presença num disco que procura projectar o jogo numa grande escala (o segundo disco inclui uma versão 3-D do clássico para jogar). Consegue-o principalmente com “Painbug in my eye” e “Low Flow”. Sofre depois com alguns momentos que poderiam pertencer a outro disco qualquer. Mas Pong faz parte de uma missão que aguardava conclusão. O facto do alemão ter lançado, há pouco mais de dez anos e no seu início de carreira, um doze polegadas intitulado Ping indica isso mesmo: a vontade de concluir um ciclo recuperando aquela tesão dos primeiros tempos. Pong é bem sucedido nos contactos que estabelece, embora escasso em momentos para conquistar uma posição de destaque no pós-dubstep e na Raster-Noton.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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