DISCOS
Massive Attack
Heligoland
· 19 Fev 2010 · 16:58 ·
Massive Attack
Heligoland
2010
Virgin


Sítios oficiais:
- Massive Attack
- Virgin
Massive Attack
Heligoland
2010
Virgin


Sítios oficiais:
- Massive Attack
- Virgin
Enigmática viagem a um desconhecido arquipélago onde domina o saudosismo dos dias em que se corriam riscos em nome da pop.
Os Portishead optaram em 2008 pela viragem completa da base que os susteve durante os primeiros álbuns. Os Massive Attack optam agora pela sustentação das ideias elementares nascidas com o terceiro disco (Mezzanine), pedindo ainda alguma paciência ao irrequieto espírito humano agora pouco habituado a lenta degustação da novidade. Não que tenhamos de esperar muito para perceber o que governa Heligoland, mas alguma perseverança é necessária para perceber o que se passa quando o colectivo de Bristol solta a misteriosa nuvem negra sobre a sua música. E vindo de quem vem, passa-se sempre alguma coisa interessante, mesmo que se conclua que mudanças mais profundas tenham ficado para outro dia.

Heligoland é antes de mais governado pelo mesmo desejo perfeccionista que faz adiar as datas de edição sucessivamente. Um desejo pelos acabamentos com retoques e pinceladas de última hora. E aí, uma vez mais, pouco há apontar aos esforços de Robert Del Naja e do regressado Grant Marshall: produção cuidada, capaz de desenhar até ao mais ínfimo pormenor o sombreado que criará o contorno musical mais preciso e aproximado do que foi concebido pela imaginação. É de vicissitudes e multiplicidades de estados de espírito que se trata quando nos deparamos com a complexidade com que os Massive Attack erguem os alicerces de cada canção e quem convidam para distribuir sentimentos e galanteio. É nesse lugarejo de especulação pop que se forjam as linhas mestras de Heligoland. E é aí que a frustração é afastada e somos minimamente reconfortados com os resultados.

Se 100th Window (2003) já trazia sobre os ombros o pesado estovo de Mezzanine (1998), Heligoland aproveita as pontas deixadas soltas por ambos para tecer esta complexa, melancólica e, no entanto, menos interessante peça de tapeçaria. Não falamos de uma manta de retalhos confeccionada com ideias recicladas, recuperadas do caixote-dos-indesejados; falamos de um coerente e elegante pano sonoro tecido a partir da matéria-prima que já havia dado provas da sua versatilidade e qualidade no passado: trip-hop convertido à causa pop, electrónica minimal e pedrada, rock sedado com excesso de anti-depressivos, soul hipnotizada com o barulho das luzes ou dub pastoso e sonâmbulo. Tudo ingredientes há muito associados à sonoridade dos Massive Attack e pelo qual já nos afeiçoámos por falta de alternativa.

Aqui é definitivo o que já se suspeitava desde a edição do EP Splitting The Atom: nada de novo a percorrer estes velhos e mal iluminados becos urbanos, nada que nos faça concluir que houve uma genuína tentativa de reconversão da matéria pop, apesar de lá sermos forçados a admitir que não deixa de haver momentos intrigantes neste negrume narcótico que nos leva a pegar nesta música com vontade de escutar um pouco mais. Heligoland ainda não desilude, mas também não entusiasma como desejaríamos.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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