DISCOS
Prefuse 73
Everything she Touched Turned Ampexian
· 19 Jun 2009 · 01:49 ·
Prefuse 73
Everything she Touched Turned Ampexian
2009
Warp


Sítios oficiais:
- Prefuse 73
- Warp
Prefuse 73
Everything she Touched Turned Ampexian
2009
Warp


Sítios oficiais:
- Prefuse 73
- Warp
Génio ou preguiçoso? Guillermo Scott Herren, o anti-DJ Premier, faz mais um disco de música de elevador que não é música de elevador. E soa exactamente a Prefuse 73.
Serão todos os discos de Prefuse 73 iguais? Não são bem iguais. Mas, por exemplo, Everything She Touched Turned Ampexian soa a todos os discos de Prefuse 73 que o antecederam. Não tem canções propriamente ditas – e os outros tinham, fosse com cantores ou com rappers –, mas o som é inegavelmente Prefuse 73. Será a marca de um génio? Ou preguiça?

Mesmo que seja preguiça, soa muito bem. É a brincadeira de sempre. Um homem enfiado entre a electrónica e o hip-hop. Um gajo que tem na MPC uma extensão natural do seu braço, mas em vez de abraçar um boom bap típico e revivalista dos anos 90 ou dos anos 80, usa o diggin' para outros fins. Nomeadamente para samplar vozes e instrumentos, esticá-los, cortá-los, pôr-lhes clicks, glitches, e todos esses termos associados à IDM. É uma espécie de anti-DJ Premier, só que com reverência extrema pelo DJ Premier. Um beat dele pode não ter batida – o final de "Regato" é uma voz aparentemente feminina a dizer "ah ooh" e uma guitarra e samples do mar atrás –, mas quase sempre se anda com a cabeça para cima e para baixo ao som dele.

Lança discos pela Warp, mas sampla lá no meio Trugoy the Dove dos De La Soul a dizer "for now get'em high off this dialect drug", uma frase que está na cabeça de todos os que, como o próprio Guillermo Scott Herren – e vamos pôr isto em pratos limpos: melhor nome de sempre? –, ouviram vezes sem conta o 3 Feet High and Rising. Nem tudo soa ao mesmo, o rapaz pode ser abrasivo, relaxante, pode pegar ser tropical e depois agressivo, pode samplar e pode fazer no computador, pode fazer tudo o que quiser. Orgânico, electrónico, instrumentos, samples, emulações, há de tudo. Até anda, algures, Zach Hill dos Hella. Aqui muitas das faixas são curtas, mas sempre com ligação às outras para não aborrecer. É que o LP é duplo e nem é muito caro.

Guillermo Scott Herren ainda é um mestre de manipulação de vozes e instrumentos – é so ouvir os falsetes que não deviam ser falsetes originalmente em "Natures Uplifting Revenge". E faz música de elevador que não é música de elevador como ninguém (ouça-se "Yuletide"). É como Lil Jon, D4L ou os Dem Franchize Boyz e quejandos que juram todos a pés juntos que sabem as letras do Rakim de cor e salteado e depois fazem canções sobre danças parvas ou o que quer que seja (e algumas até rendem). Mas em muito melhor, claro. Reverência pelo passado, sem qualquer tipo de conservadorismo. E continua a fazer bons discos. Sistematicamente.
Rodrigo Nogueira
rodrigo.nogueira@bodyspace.net
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