DISCOS
Sunn O)))
Monoliths & Dimensions
· 12 Jun 2009 · 15:38 ·
Sunn O)))
Monoliths & Dimensions
2009
Southern Lord


Sítios oficiais:
- Southern Lord
Sunn O)))
Monoliths & Dimensions
2009
Southern Lord


Sítios oficiais:
- Southern Lord
Monstros do Doom exibem ambição desmedida e saem-se à grande.
A primeira analogia poderá chocar os mais sensíveis que tenham estado atentos às notícias dos últimos dias: “Monoliths & Dimensions” é turbulência pura. Só que não é a turbulência que atinge um obstáculo que se desloca a velocidades superiores a 1000 km/h. Mas isso pouco interessa, pois damos à mesma o solavanco no banco, ficamos à mesma sem respiração, e a incerteza sobre os próximos minutos toma conta de nós à mesma. “Monoliths & Dimensions” é esmagadoramente intenso, resultado da capacidade, agora inegável, de Greg Anderson e Stephen O’Malley de transcenderem os horizontes do seu início de carreira. Estão muito longe de “The Grimmrobe Demos”, e fazem-no sem qualquer perda de identidade, lançando aquele que é, até à data, o seu melhor disco, e demonstrando porque são uma das bandas mais importantes dos nossos dias. Se há um disco que se possa comparar com este, é “Delirium Cordia”, a obra-prima dos Fantomas sobre ambientes de filme de terror. Há aqui um trabalho genial nos arranjos, criando dinâmicas de sobressalto a cada passo, algo que não se consegue descortinar se é introspectivo ou extrovertido. Talvez seja apenas único.

“Agartha” começa como o habitual drone em chicote de câmara lenta, até que surge a voz declamadora e imponente de Attila Csihar, e mais tarde as participações do guitarrista Oren Ambarchi, e da viola d’arco de Eyvind Kang. Parece engolir-se a si própria, substituindo gradualmente os sons. Surgem sons de igreja e cordas dissonantes. Surgem conchas a apitar, aviso que preferimos ignorar por estarmos tão absorvidos. Acaba de a voz sobre o som de ondas, e um silvo. Este texto terá que ficar incompleto, pois há tanta coisa a acontecer nestas músicas. “Big Church” tem uma ligação entre coros femininos, guitarras sujas e guitarras limpas de apertar o coração, e fazer tremer a cabeça. Passa-se de explosões a lugares sinuosos. Surge aquele efeito tão precioso de recuar da realidade para um lugar desconhecido, de costas sem olhar para onde estamos a ir. Nem queremos. “Hunting & Gathering (Cydonia)” começa com um riff death metal sanguinário, e continua por vozes, explosões ao retardador, trompetes e trombones sinistros, e um moog! Quando ficamos apenas com um som agudo e o baixo, estamos absolutamente arrasados.

Falta só “Alice” (o disco são 57 minutos e 4 músicas). “Alice” constrói-se em espiral. As guitarras dão pancadas violentas ajudadas pelo baixo e sopros, até que o riff ganha vida. Mas enquanto isto acontece os sopros assumem, gradualmente, protagonismo, até dominarem. Os espaços são sempre ocupados com enorme mestria. Começamos a chegar ao fim, e aos sopros junta-se...uma harpa! O fim é de uma calmaria, a qual não apostaríamos que se mantivesse assim durante muitos mais minutos. E é o encerramento de um disco estonteante. Através de algo que os gestores e economistas chamariam “crescimento orgânico”, os SunnO))) fazem da música um desfibrilador, cujos choques distribuem-se ao longo de horas por todos os sistemas vitais. Provavelmente, o melhor disco de 2009!
Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com
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