DISCOS
Coclea
Beams
· 25 Mar 2009 · 23:45 ·
Coclea
Beams
2009
Rafflesia


Sítios oficiais:
- Coclea
Coclea
Beams
2009
Rafflesia


Sítios oficiais:
- Coclea
Novo passo no estudo da guitarra eléctrica por parte de Guilherme Gonçalves, com pistas do minimalismo e do kraut mais abstracto.
Depois da explosão em 2005 e anos seguintes, há vários sinais que indicam que a nova cena experimental portuguesa reduziu a produção. A explicação, acreditamos, está mais numa vontade mais ou menos geral de partir para registos mais duradouros do que os CD-R e as cassetes – vimos isso com os Tropa Macaca, que se preparam para editar o terceiro vinil, nos Gala Drop, nos Loosers e nos Aquaparque (que nasceram logo com a mente nos registos mais “oficiais”).

Se, por um lado, compreende-se a ambição de cada grupo (importa que se tornem agora artistas globais), por outro, para quem sentiu a alegria de ver nascer tantas e boas bandas num simultâneo grito colectivo de criatividade, não é possível não ficar ligeiramente perplexo com a redução no número de edições. Sobretudo porque o encanto passava também pela multiplicação de novos estímulos, cada um diferente do outro, num fervilhante work in progress.

Isto para dizer que faltam discos como Beams de Coclea, aliás Guilherme Gonçalves (também dos Gala Drop). É um daqueles objectos com a dose certa de fetichismo (patente na raridade – é limitado a 100 exemplares numerados – e na beleza da embalagem, em tecido). E a música faz-lhe justiça: mostra um músico ainda fixado numa certa ideia de hipnose por via da electricidade, sorvendo inspiração das lições do minimalismo, do kraut mais líquido e despojado de ritmo e do psicadelismo de guitarras.

Com uma única faixa, Beams abre com um fio de guitarra mínimo, como um violino sustido, que se vai desfiando, loop atrás de loop. Desenham-se ciclos na massa sonora sobre os quais Gonçalves acrescenta texturas (ia jurar que, num certo momento, há uma nave espacial a pousar). Aos 12 minutos, o fuzz da guitarra eléctrica, à Fushitsusha, começa a tomar conta das operações. No final, enquanto se ouve o som de água a correr, há guitarras em desintegração e outras a sugerir riffs stoner, abrindo espaço para a contemplação. Sem revoluções, Guilherme Gonçalves tem vindo a construir um interessante trabalho sobre a guitarra eléctrica enquanto meio de amplas possibilidades.
Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com
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