DISCOS
No-Neck Blues Band
Clomeim
· 10 Fev 2009 · 00:09 ·
No-Neck Blues Band
Clomeim
2008
Locust


Sítios oficiais:
- No-Neck Blues Band
- Locust
No-Neck Blues Band
Clomeim
2008
Locust


Sítios oficiais:
- No-Neck Blues Band
- Locust
Septeto lendário da música livre dos últimos 15 anos arranja mais tempo de estúdio e descobre as virtudes de alguma ordem. Sem deixar a estranheza que os tornou num caso de culto.
Ame-se, odeie-se ou fique-se num perplexo meio termo, os No-Neck Blues Band (NNCK) são uma instituição da música livre e improvisada dos últimos 15 anos. É um daqueles grupos que nos põe a seguir os seus passos mesmo que não apreciemos sempre o que fazem. É assim porque construiram um universo tão seu, praticamente fechado em si mesmo e auto-referenciado, aparentemente imune à sua recepção.

Em cada disco dos NNCK a selecção e a edição têm um papel fundamental, ajudando a fazer sentido (mesmo que este passe ao lado do ouvinte) dos pedaços improvisados criados pelo septeto. E em Clomeim este atributo é mais vincado do que no passado. É o primeiro disco dos No-Neck tiveram tempo ilimitado de estúdio (o Black Dirt, do membro do grupo Jason Meagher). Talvez por isso pareça mais completo, diverso e planeado do que os seus antecessores. "Pudemos tocar, parar, conversar. Foi uma oportunidade para estarmos mais relaxados", confirmou Pat Murano, um dos NNCK à Wire de Fevereiro de 2009, numa rara entrevista do grupo.

Há vários exemplos que revelam uns No-Neck interessados em alguma ordem, sem que isso soe a uma heresia (o grupo é conhecido pela sua militância improv, recusando repetir momentos que correram bem - cada peça é sempre nova). Exemplo disso, "The Coach House" começa com a voz fantasmagórica da única mulher do grupo, Mico, assume a forma de hipotética música tradicional de um qualquer país desconhecido (com o que parece uma harmónica fugidia) e deixa-se transportar por uma bateria irrequieta e inflexões desordeiras de guitarra. Nunca os NNCK estiveram tão próximos do psicadelismo mais ortodoxo.

As melhores peças de Clomeim são, precisamente, os momentos mais ordeiros, que mais fogem da matriz NNCK. "Silurist" é pura sugestão psicadélica, música que não vai a lado nenhum, e "Make love" põe Mico a repetir palavras enquanto a restante banda ensaia uma trip suave, com os instrumentos na corda bamba. "Walking wind", o momento alto do disco, confirma que é quando o septeto deixa os instrumentos respirarem que atinge os melhores resultados: é uma espécie de raga flutuante, que se desenrola em terrenos movediços, mas sólidos (é bom ouvir os NNCK a impôr um embalo hipnótico, sem complicar o que às vezes se quer simples)

Desengane-se quem poderia ver em Clomeim unicamente uns No-Neck amansados. Seguem o dizer popular e enquanto dão uma no cravo, preparam outra na ferradura. "Salai Widnalas" tem um riff stoner escondido atrás de desvarios indecifráveis na voz. "Ministry of voices” é estridente, quase absurda e inaudível, tal o chinfrim de sopros, cânticos e guitarra e "Ialas Saladiw" inventa uma espécie de sinfonia de aparelhos electrónicos avariados.

Falta a Clomeim alguma da chama (inspiração?) que os No-Neck já mostraram noutros discos (como Qvaris, EmbryoNNCK e Sticks and Stones May Break My Bones but Names Will Never Hurt Me), mas é, globalmente, um disco satisfatório e menos desequilibrado do que o costume no colectivo.
Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com
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