DISCOS
Hauschka
Ferndorf
· 17 Dez 2008 · 14:02 ·
Hauschka
Ferndorf
2008
Fat Cat / Flur


Sítios oficiais:
- Hauschka
- Fat Cat
- Flur
Hauschka
Ferndorf
2008
Fat Cat / Flur


Sítios oficiais:
- Hauschka
- Fat Cat
- Flur
O piano (preparado) e tudo à volta. Com selo de qualidade Fat Cat.
O ano passado o alemão Hauschka (nome estranho, mas ainda assim mais apelativo que o nome de nascença Volker Bertelmann) editou na nossa amiga Fat Cat o promissor Room To Expand. Esse registo fatcatense centrava-se num piano preparado, mas essa matéria-prima bastou para o alemão construir um universo musical que conseguia evocar uma alargada latitude de referências. Quando se fala em piano preparado é quase inevitável falar em John Cage, mas a abordagem do alemão anda longe do influente (e eternamente controverso) compositor americano - é muito menos arriscada e comodamente abusa da melodia.

Neste seu segundo disco para a Fat Cat, que é a sua quarta edição (lançou Substantial [2004] e The Prepared Piano [2005] através da Karaoke Kalk), o piano – preparado, claro - continua no centro, mas agora está tudo mais composto. Sobressaem sobretudo as cordas, com os violoncelos a entrarem em animadas conversações com o piano; por vezes o trombone também tem espaço, mas sobretudo fica na sombra dos outros instrumentos. E o piano, estando sempre em foco, acaba por ser também o elo que funde toda a matéria.

Hauschka fez as primeiras partes de gente como os Múm (na tour americana), Colleen (no Japão) e Max Richter (em Inglaterra) e apostamos que não terá de se esforçar muito para agradar aos fãs destes músicos que, apesar das abordagens utilizadas, optam quase sempre por privilegiar a melodia de modo a espremer a máxima emotividade. Em Ferndorf os temas nunca são ambiciosos e épicos como em Richter, nem caem no excesso hipnótico da francesa Colleen, mas conseguem ficar num campo nebulosamente intermédio.

O disco alterna peças improvisadas com composições de elevado investimento. Se por vezes a música se aproxima de um classicismo minimalista (evocativo de Philip Glass, por exemplo, mas que também nos pode fazer lembrar Erik Satie), outras vezes assume um gosto pela melodia directa, quase pop. O disco balança nestes campos, sem se deixar catalogar numa fórmula fechada. Não interessa, mesmo que não saibamos bem o que chamar a isto, vale a pena ouvir com atenção.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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