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The Kills
Midnight Boom
· 17 Out 2008 · 09:34 ·
The Kills
Midnight Boom
2008
Domino / Edel


Sítios oficiais:
- The Kills
- Domino
The Kills
Midnight Boom
2008
Domino / Edel


Sítios oficiais:
- The Kills
- Domino
Veio para a rua no início do ano, mas o rock de 2008 ainda não viu muitos discos assim.
Desde que o rock é rock que o rock é sempre outra coisa qualquer. Primeiro porque antes de ser, tem de parecer. E depois porque rock que é rock geralmente nunca é rock apenas. Quanto às aparências, no caso dos The Kills, a coisa não oferece dúvidas: estilo e atitude em loop interminável, mesmo quando as alianças nos dedos aconselhariam a poses onde bocas, posturas e corpos estivessem respeitosamente mais distanciados, menos sexy, mais cândidos, enfim, menos rock. Mas não, claro. E quanto ao resto, à multidisciplinaridade do género, a dispersão em modos equitativos de pós-punk, pop, glam e até hip-hop, só confirmam a lengalenga: se os The Kills conseguem mesmo ser tudo isto, e bem, então espalham mesmo rock por aí (a bem deles e de nós, esperemos que por tudo o que é vento).

Dito isto, escusem-se os mal-entendidos. Ter sentido de estilo e nutrir de substância uma banda pode ser raro, mas não é impossível. Esse é um dos grandes méritos da dupla inter-continental Alison “VV” Mosshart (vocalista) e Jamie “Hotel” Hince (guitarrista e noivo da supermodelo Kate Moss, e reparem como são postas a par e convivem estas duas características que lhe apontámos à pregão de revista cor-de-rosa), mas não é o único. Midnight Boom pode ser visto como um álbum de continuidade, como parece ser norma na imprensa musical, embora a continuidade em si seja um pau de dois bicos, que os podia ter levado a desaguar aqui ou numa coisa completamente diferente. Diga-se, por isso, que este é um álbum de continuidade na ruptura. Riffs maquinais de guitarra, batidas de bateria automáticas por trás, voz de VV lânguida e sexy, tudo soando igualmente bem, mas com o dobro do interesse de Keep on Your Mean Side e o triplo do impacto de No Wow, os álbuns anteriores.

O que havia de minimalista nas gravações anteriores não evaporou numa reacção química daquelas mesmo estranhas, mas aqui soa tudo a muito mais e além disso no sítio correcto, o que pode ser sinal de uma produção omnipotente e omnipresente, nunca prejudicial e sempre como reforço da força e do poder do conjunto. Midnight Boom tem cor, emoção e excitação, como em “Cheap and Cheerful” onde VV canta “I want you to be crazy / ‘Cos you’re boring baby when you’re straight”, ou na abertura, “U.R.A. Fever”, um confronto de chamada e resposta entre VV e Hotel com bateria e baixo, como sempre, a impor o passo. No resto há reminiscências de hand-jive, electro rockabilly e tudo o mais que vem nas folhas de estilo. Antes do fim, “Goodnight Bad Morning” é a balada canónica de sucessão às que os Velvet Underground fizeram no início da nossa era.
Tiago Gonçalves
tgoncalves@bodyspace.net
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