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Cat Power
Jukebox
· 06 Fev 2008 · 08:00 ·
Cat Power
Jukebox
2008
Matador / Popstock!


Sítios oficiais:
- Cat Power
- Matador
- Popstock!
Cat Power
Jukebox
2008
Matador / Popstock!


Sítios oficiais:
- Cat Power
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"You will be changed" canta ela com a mais convicta convicção de a realidade pode ser o que cada um de nós quer. E para isso basta talento na concretização do desejo.
Não será a primeira alma vítima da depressão. Nem será a última a utilizar o estado sentimental profundo como instrumento de construção de alguma da melhor música deste planeta. Entender-se-á com facilidade uns dos melhores vectores da pop moderna quando se assimilar a ideia de uma música inevitavelmente comprometida com a alma desesperada por alívio. O triângulo Mississippi (blues), Memphis (soul) e Nashville (country) tem sido o melhor exemplo dessa necessidade, dessa urgência na expressão que procura expurgar os males do quotidiano pesaroso.

A biografia de Charlyn Marshall não deixará grandes dúvidas no entendimento, não só na progressão da carreira, como no percurso sinuoso a que o corpo sujeitou a alma da personagem. Tendo começado pelas improvisações e mais tarde as reinterpretações, Marshall soube desde o primeiro instante usar o palco como escola de postura vocal, projectando sentimentos no gume da navalha como veículo de uma arte que nunca parece ter tido o êxito como objectivo primordial.

De Dear Sir (1995) a The Greatest (2006), passando pelo inevitável The Covers Records (2000), Cat Power assume-se como uma personagem de um submundo marginal e fumarento que recusa o excesso de instrumentação como meio de afirmação pessoal. Ou seja, o recurso limitado a uma guitarra, bateria e baixo como elemento essencial na erecção sonora servirão sobretudo os intentos da autora na depuração das canções. Chan Marshall verga magistralmente a sua voz por entre acordes que apesar de alguma simplicidade, procuram formalmente iluminar a melancólica.

Com o novo Jukebox não encontraremos somente um upgrade das experiências anteriores. Deparamo-nos com uma diva que reconhece sem preconceitos a maturidade que os anos de vida lhe têm dado. E não se menospreze o facto de estarmos novamente perante uma mão cheia de covers porque o essencial da essência musical reside no prazer de descobrir uma personalidade musical que se sabe exprimir como autora enquanto assalta o imaginário eterno da música intemporal de gigantes como Frank Sinatra ("New York, New York"), Hank Williams ("Ramblin' (Wo)man"), Bob Dylan ("I Believe in You"), George Jackson (""Aretha, Sing One for Me"), Billie Holliday ("Don't Explain"), Janis Joplin ("A Woman Left Lonely"), James Brown ( "Lost Someone") (ou Nick Cave ("Breathless") e Patsy Cline ("She's Got You") na belíssima edição Deluxe).

E acredite-se com a mais veemente das certezas que nenhuma das músicas, outrora interpretada por mestres, sai de alguma forma diminuída ou desprezada deste caloroso e delicado trabalho de autor. Afinal nem tudo precisa de ser original para brilhar. Mesmo na escuridão da tristeza alheia ou na sombra de gigantes.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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