DISCOS
Norberto Lobo
Mudar de Bina
· 20 Out 2007 · 16:00 ·
Norberto Lobo
Mudar de Bina
2007
Bor Land


Sítios oficiais:
- Norberto Lobo
- Bor Land
Norberto Lobo
Mudar de Bina
2007
Bor Land


Sítios oficiais:
- Norberto Lobo
- Bor Land
Folk, Portugal, John Fahey e Carlos Paredes. Só falta o MacGyver.
Muito poucos conseguiram traduzir a nostalgia de ser português em arte. Carlos Paredes foi um dos poucos que o conseguiu e a imortalidade da sua música distinguiu-o como um dos mais notáveis criadores saídos da nossa terra. É a Carlos Paredes que o jovem guitarrista Norberto Lobo dedica o seu disco de estreia e ao ouvirmos a sua música sente-se por vezes essa ambição de registar a essência da alma lusa. E se é um facto que neste seu disco inaugural, que é também um solo absoluto, Norberto se aproxima da noção mal definida de “música portuguesa”, usa-a também como ponto de partida para chegar a outras fronteiras.

O título do disco é uma indisfarçável referência ao tema de Paredes e a homenagem não se fica pela tona, há mesmo uma versão do tema original, “Mudar de Vida”. Norberto aplica-lhe a sua extraordinária técnica e, apesar das diferenças, não envergonha o original - para se perceber a dimensão do elogio relembro que falamos do genial guitarrista português Carlos Paredes (1925-2004). Mas o disco não se encerra nessa dimensão de tributo, desvenda um instrumentista de raro talento e viaja até outras latitudes.

O nome Norberto Lobo começou a ser falado há uns meses, quando o programa de rádio Má Fama gerou um certo burburinho. Os concertos que se seguiram, na Galeria ZDB e na Sociedade Guilherme Cossoul, confirmaram as expectativas e alimentaram o culto. Coisa rara, surgiu entre nós um magnífico instrumentista que vai além das fronteiras estáticas de um género. Também ele um brioso herdeiro da folk americana de John Fahey, Norberto revela com este disco uma consistência de que poucos se podem orgulhar.

O método lo-fi que caracteriza o disco (segundo consta, o álbum foi literalmente gravado em casa e na rua) pode ser visto como statement e até se enquadra na toada classicista do álbum, mas o que mais interessa é mesmo o material gravado, que é uma pedra no charco nacional. Neste disco, a técnica, mais do que mero combustível para exibição circense, está ao serviço da arte. Pelas mãos de Norberto Lobo aquelas composições resultam em interpretações belíssimas. Só ficou mesmo a faltar a deliciosa cover acústica do genérico da melhor série dos anos ’90 (sim, MacGyver), mas tal como Norberto nos concertos a deixa para o encore, ficamos agora nós à espera desse rebuçado num próximo disco.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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