DISCOS
Variable Geometry Orchestra
Stills
· 11 Out 2007 · 08:00 ·
Variable Geometry Orchestra
Stills
2007
Creative Sources


Sítios oficiais:
- Creative Sources
Variable Geometry Orchestra
Stills
2007
Creative Sources


Sítios oficiais:
- Creative Sources
Para celebrar a sua 100ª edição, a Creative Sources documenta um fenómeno único na história da música improvisada portuguesa.
Fenómeno único em Portugal (e raro no mundo), a Variable Geometry Orchestra é uma banda de formação mutável que reúne alguns dos mais criativos músicos da actualidade e lhes dá uma alargada margem de liberdade para criar música, apenas orientada pela noção de colectivo, sem regras pré-definidas. Dirigida pelo activo violinista Ernesto Rodrigues, esta orquestra tem actuado com muita regularidade nos últimos anos, em Lisboa e noutros pontos do país, num trabalho de aperfeiçoamento da sua fórmula particular.

No disco triplo agora editado, a centésima edição da excelente Creative Sources, estão registadas as mais recentes actuações da VGO, demonstrando que a evolução temporal da orquestra se reflecte na música produzida. Se as primeiras experiências mostravam um caos quase incontrolável, Ernesto Rodrigues conseguiu ao longo do tempo impor contenção e organização, através da simples indicação de pequenos sinais (um processo de condução de orquestra similar às estratégias de Butch Morris ou John Zorn), sem que isso tenha posto em causa o carácter libertário da música.

Herdeira contemporânea do mais radical free jazz, a música gerada pela VGO ultrapassa os limites de catalogação, podendo apenas ser caracterizada pelo uso do mais amplo sentido da palavra “improvisação”. Num registo desordenado mas simultaneamente democrático, a personalidade musical dos inúmeros instrumentistas (portugueses ou estrangeiros) que colaboram nesta orquestra, de forma regular ou esporádica, acaba naturalmente por quase sempre transparecer para a música criada em colectivo, ainda que por vezes algumas vozes fiquem inevitavelmente na penumbra.

Reunindo figuras de diferentes quadrantes da música contemporânea portuguesa - como Sei Miguel (pocket trumpet), Alípio C Neto (saxofone), Rafael Toral (modified amp), Eduardo Lála (trombone), Adriana Sá (digital synth), Johannes Krieger (trompete) ou mesmo o próprio líder Ernesto (viola e violino) – este registo é o documento definitivo da efervescência da música improvisada em território nacional neste início de século. Épico também na forma (triplo), este álbum representa alguma da mais criativa música produzida por alguns dos seus melhores executantes.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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