DISCOS
The White Stripes
Icky Thump
· 07 Ago 2007 · 08:00 ·
The White Stripes
Icky Thump
2007
XL Recordings / Popstock!


Sítios oficiais:
- The White Stripes
- XL Recordings
- Popstock!
The White Stripes
Icky Thump
2007
XL Recordings / Popstock!


Sítios oficiais:
- The White Stripes
- XL Recordings
- Popstock!
Não são originais, muito menos geniais, mas que se levante o primeiro fã de rock & roll que não se diverte a ouvi-los.
Há bandas que nunca vão abdicar de um discurso musical mais ou menos rígido, porque isso implicava a destruição de todo um projecto estilístico. Dentro dessa categoria, dificilmente encontraremos um exemplo mais fundamentalista do que os White Stripes. Todo o seu som se baseia nos ritmos quase primitivos de Meg White, na voz quebrada de Jack White, num rock & roll de raízes americanas, no som dos anos 60, no blues-rock e numa produção cuidadosamente displicente. Até o vermelho, branco e preto que constitui invariavelmente a sua imagem cromática sugere uma ideia de perenidade.

Em Icky Thump, o material da banda de Detroit parece estar mais abrasivo e indisponível para concessões do que nunca. Os Stripes apresentam aquele que será o seu trabalho com um sabor mais forte a retro, como o provam os solos no tema título do disco (que também é o seu primeiro single) ou em “You Don't Know What Love Is (You Just Do as You're Told)”. Para além disso, o duo mostra uma menor propensão para o tema orelhudo, de que o melhor exemplo é “Seven Nation Army” (e não estamos aqui a retirar a valor a uma canção que é pouco menos do que perfeita).

Apesar disso, e porque os dois membros que constituem os White Stripes são tudo menos burros ou dogmáticos, há tudo um leque de subtilezas instrumentais no disco, que vão desde teclas a metais, para além da surpresa que é o aparecimento de um tema com... gaita-de-fole. Se a bateria de Meg e a guitarra blues de Jack (que se torna puramente rock & roll nos momentos de explosão) serão sempre dominantes, há neste álbum mais elementos surpreendentes do que em toda a anterior discografia do grupo, o que não deixa de ser paradoxal face ao que até aqui foi dito.

Mas na verdade não há contradição, porque estas novidades não alteram as bases e as mais profundas convicções do duo em termos da composição. Aliás, “Conquest” – versão de um original popularizado por Patti Page nos anos 50, com metais mariachi e vocalizações quase ciganas à mistura – talvez fosse a melhor aposta para primeiro single do álbum: um delicioso cruzamento White Stripes - Calexico e uma das melhores canções de sempre da banda, reconhecível imediatamente como criação Whitestripiana. Tudo em menos de três minutos.

A partir daqui (quarta faixa), o avião Stripes levanta voo: desde o rock dançante, com riff curto e imparável, de “Bone Broke” até ao diálogo entre Meg e White em “Rag & Bone” é um saltinho. Nesse percurso, mais influências dispersas: a já referida gaita-de-fole e um feel celta em “Prickly Thorn, but Sweetly Worn” e um potente riff de nítida inspiração metal em “Little Cream Soda”. Só perto do fim, em “A Martyr for My Love for You”, o andamento acelerado diminui.

Os Stripes podem não estar tanto na moda como no início do século, mas não desistam deles. Ao sexto álbum, a força primitiva do rock & roll ainda está com a banda que consegue meter no mesmo saco a rudeza do punk e os solos de guitarra mais intrincados do século XXI, sem que tal soe contraditório ou anacrónico.
João Pedro Barros
joaopedrobarros@bodyspace.net
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