CAN«’ES
"Céu Azul"
Lucía Vives
∑ 03 Abr 2017 ∑ 15:01 ∑
© Diogo Rodrigues

A "cena" musical portuguesa, nos dias que correm, parece consistir em três simples pedras da calçada: damos um pontapé numa e de lá sai uma banda de stoner, damos um pontapé noutra e sai uma de rock psicadélico, e a pedra final fica reservada para dezenas e dezenas de cantautores com gosto pela nossa própria língua. Na maior parte das vezes, a pedra chutada deixa que a barata saia do solo. Mas, noutras, e cada vez mais raras, é um fio de ouro ou uma moeda de prata aquilo que se esconde sob o calcário. Assim é com Lucía Vives e com a Xita Records à qual pertence, colectivo de miúdos que, inspirados pela Fetra, tem feito coisas realmente extraordinárias.

Lucía e não Lúcia, que também pertence às maravilhosas Ninaz, "estreou-se" recentemente a solo com um EP em modo grind: três canções apenas, e em apenas cinco minutos, mas que deixam antever um mar de possibilidades pop, tal é a força dos arranjos. Destas, destaca-se "Céu Azul", ditame pegajoso e delicioso sobre o romance, sobre a juventude, sobre Lisboa, sobre aquilo que de melhor há numa tarde de verão: uma imensidão de azul sobre as nossas cabeças. É grande, claro, é radiofónica, obviamente, e será grande, certamente.

Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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