Easyway + Toy Dolls
Hard Club, V.N. de Gaia
04 Dez 2004
Fotos de Eugénia Azevedo

Quase a fechar 2004, os britânicos Toy Dolls protagonizam no Hard Club um dos mais aguardados concertos do ano. A especulação à volta de uma possível última tournée da banda fez aumentar a expectativa e o interesse do público pelo regresso da mítica banda a território luso. Decorridos cinco anos desde a sua última passagem por Portugal, os Toy Dolls regressam ao nosso país no ano em que assinalam 25 anos de carreira. Tendo sofrido ao longo do seu historial diversas alterações na sua formação, a banda que se apresenta ao público nortenho integra o recém-recrutado baixista Tom Goober. E tudo a postos para o início do espectáculo.

A abrir as hostilidades, os conimbricences Easyway apresentaram um repertório breve e previsível a culminar no single "Forever in a Day" retirado do álbum de estreia homónimo e repetido em jeito de encore perante um público exasperado à espera do trio britânico. O desfilar das faixas de Forever in a Day aconteceu de forma célere e pouco assinalável, enfrentando ainda a escassez de público que se verificou até às 22 horas, hora prevista para o início da actuação principal. E como vem sendo habitual em eventos realizados no Hard Club, o concerto dos Toy Dolls teve início exactamente à hora prevista.

Olga, Dave e Tom Goober surgem em palco, para gáudio dos seus fãs, com a entrega e energia que caracterizam as suas prestações. Não admira, portanto, que o público se tenha entregado desde o primeiro momento ao clássico desafio à lei da gravidade num "mosh" frenético e contínuo a surgir por todos os lados. E o veteranismo com que Olga e seus pares continuam a explorar num punk quase inclassificável enche um Hard Club sedento de memoráveis performances. Para degustação, é apresentado o último registo da banda Our Last Album? e clássicos certamente muito aguardados como "Idle Gossip", "I Cannot", "Dig That Groove" ou as originais versões de Johannes Bach, a duas guitarras.

Não denotando qualquer inadapatação ao colectivo, Goober parece adequar-se na perfeição à postura adoptada em palco pelos seus companheiros. Contorcionismos de barriga, equilibrismos, garrafas de champagne gigantescas... um desenrolar de peripécias em prol da boa disposição percorrem a actuação da banda que se estende por aproximadamente duas horas. Perante o êxtase dos presentes face ao inabalável cunho especial com que delicia os fãs, Olga ainda se permite colocar ao público a questão retórica: "Am I too old for this?". A resposta não se faz esperar, mostrando que velhos são os trapos e que ainda se esperam muitos anos de actividade da banda.
Quem consegue resistir a estes “brinquedos” desconcertantes? "I cannot..."
· 04 Dez 2004 · 08:00 ·
Eugénia Azevedo
eugeniaazevedo@bodyspace.net

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