The AllStar Project
O Meu Mercedes É Maior Que O Teu, Porto
07 Jan 2005
© Pedro Rios

Ao início eram apenas quatro - Nunez e Phil Mendrix provenientes dos Phase, e Fuentez e El Gar, ambos ex-Sinclair – mas agora apresentam-se como um sexteto. Aos primeiros acordes tornavam-se mais do que presentes os territórios que Nuno, Fuentez, Helder, João, Veloso e Tiago percorrem. Pós-rock canadiano pela mão dos Godspeed You! Black Emperor, os Mogwai, os Explosions in the Sky e acima de tudo os japoneses Mono. Elementos em comum: o bota acima, bota abaixo mais ou menos estruturado ou desenhado, pois claro. Interlúdios com teclas – presença constante nas construções da formação de Leiria – indutoras de alguma tragicidade e drama, duas ou por vezes três guitarras, baixo e a habitual percussão matemática e rectilínea, a base perfeita para explosões e detonações de grande dimensão. Tendo em conta a limitação e previsibilidade – que tão bem os Explosions in the Sky sabem camuflar - da facção pós-rock do vai acima, vai abaixo, é certo e sabido que a tarefa dos The AllStar Project não seria a mais fácil.

A fórmula já é conhecida e até já se sabe que tem – ou sempre teve – os dias contados. No entanto, e à semelhança do que acontece em The Berlengas Connection, o EP de estreia dos AllStar Project, o resultado é, por vezes, satisfatório. O povo, esse, rejubila. Para os fãs da fórmula, qualquer indício de aceleração na bateria, qualquer aumento de tensão nas guitarras, qualquer sinal evidente que algo se vai despoletar é razão para alegrias desmedidas. E cada vez que, no final de uma explosão, as guitarras ficam a rugir, nervosas, um coraçãozinho indie parte-se de emoção. Sentimentalismo oblige.

No tribunal pós-rock há um advogado que puxa para o lado da originalidade, e outro que puxa para o lado da emoção. E o júri raramente sabe como se decidir. Às vezes ainda nem dois minutos se passaram e já as guitarras se erguem céu acima. Como se a tensão fosse algo de insuportável. Num dos temas, usa-se um arco numa das guitarras e o rugir torna-se mais e mais profundo, mais cavernoso. Em todos os temas, explora-se ao máximo as possibilidades da – oh! – maravilhosamente melódica terceira corda, o encruzilhar de guitarras, o adicionar de camadas e mais camadas, jogos de tempos e, claro, as explosões – tanto que se torna previsível. Não se sabe da ligação ou não à Converse mas a julgar pela quantidade de AllStar em palco – duas - o patrocínio é forte. E o júri ainda não se decidiu.
· 07 Jan 2005 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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