Parasita Acumulador #2 + Elliott Sharp - Festival Hi-Teca
Teatro Carlos Alberto, Porto
19 Set 2004

Para o último dia do Festival Hi-TeCa, estavam ainda guardadas algumas agradáveis surpresas. Na primeira parte do espectáculo actuaram os Parasita Acumulador #2 pelas mãos de Carlos Zíngaro, Bem Rubin, Philip Jeck e Ivan Franco. No fundo do palco, dois ecrãs projectavam imagens onde se podia ver códigos de barras, números pretos e brancos que pareciam saídos da descodificação de um qualquer código secreto e imagens de chips e outros elementos tecnológicos. Com o avançar da actuação, o saco que permanecia no centro do palco começou a dar alguns sinais de vida. Um corpo parecia contorcer-se, como se estivesse próximo de nascer para o mundo. Ludger Lamers saiu do saco, e partiu para uma surpreendente demonstração que acompanhou de forma perfeita o exercício musical entretanto engendrado. Através de suaves ou violentos movimentos corporais – alguns levados a cabo junto a uma cadeira -, sons obtidos com a boca ou com as mãos num microfone, Ludger Lamers traçou o cenário perfeito e ainda teve tempo para um belíssimo movimento resultante do lançamento ao ar de várias bolas de pingue-pongue que ia devolvendo ao ar mal estas atingiam o solo. A música, essa, devolveu ao útero aquilo que de lá nunca devia ter saído: os seus incontornáveis murmúrios.

© Carlos Oliveira

Acompanhado de Janene Higgins nas imagens, Elliott Sharp entrou em palco para fechar a edição de 2004 do Festival Hi-TeCa. A sua música resulta do encontro dos fragmentos arremessados à força de um laptop e da guitarra que mostrou manusear com toda a habilidade. Evoluindo por diferentes abordagens rítmicas ao instrumento, Elliott Sharp apresentou alguns temas que pareciam revolver as memórias e confrontá-las com o futuro: a sua guitarra viajou por tantos locais quando seria possível na duração da actuação – mesmo quando se fazia sentir alguma sensação de deja vu. A sua devoção a todos os tipos de música experimental ficou mais do que patente – a palete musical de Elliott Sharp é, assim como a sua discografia, deveras extensa.

· 19 Set 2004 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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