Underworld
NeoPop, Viana do Castelo
7- Ago 2019
© NeoPop

A chuva não augurava nada de bom, ainda a caminho do Minho para mais uma sessão tripla de festivais (que englobou, para além do NeoPop, o SonicBlast em Moledo e o festival de Paredes de Coura). Não estamos habituados à chuva em Agosto. Sim, é uma chuva extremamente benéfica para os agricultores, especialmente em período de seca. Sim, nem todos gostam do mesmo sol e dos mesmos céus limpos. Sim, não temos nada que reclamar e só temos é que nos aguentar à bomboca. Já sabemos. Permitam-nos odiar só um bocadinho.

Assim como odiamos a chuva, odiamos as filas, tanto para levantar bilhetes como para se ser revistado, e que fizeram temer o pior: falhar o início do espectacular concerto dos Underworld no primeiro dia do NeoPop, em Viana do Castelo. Não que seja preciso inserir a palavra "espectacular"; estamos, afinal, a falar dos Underworld. A banda que, para além dos clássicos de Detroit, fez muito boa gente passar a gostar não só de techno como de música de dança electrónica, no geral.

Foi a terceira vez que vimos Karl Hyde e Rick Smith em cima de um palco (e o primeiro é meio espectáculo: a forma como dança, como chama pelo público, como debita aquela poesia que outrora foi ácida e agora é um misto de sonho opiáceo com nostalgia), foi a terceira vez que saímos de lá com a certeza de que aquilo, sim, é techno - industrial, melódico, dançável, efusivo, mágico, e tudo o mais. Aquilo é mais que um assobio ou um welele! parolo. É algo que escapa à normatividade da electrónica; música de dança que até os metaleiros sabem e querem dançar.

Mesmo que uma pequeníssima falha no microfone, ao início, tenha trazido novo medo, os Underworld acabaram por dar um concerto notável onde o único problema é o de sempre: não tocarem todas, isto é, deixarem de fora tantas e tantas das canções que os transformaram em algo místico - como "Dirty Epic", "Bigmouth" ou "Moaner" ou até mesmo "Crocodile" ou "Always Loved A Film". Que se dane. Houve a magnífica "Rez" misturada com "Cowgirl" e houve "Born Slippy", o panfleto libertário de Trainspotting, a fechar aquele enorme sorriso com o qual Hyde sai do palco já após o ter colado às nossas caras. Sempre gigantes. Não demorem a voltar.
· 25 Set 2019 · 11:31 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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