Pixies
Coliseu, Porto
21- Nov 2016
Frio, chuva, gente em mood segunda-feira e a interrogação que se ouve aqui e ali: “Agora fazem-se concertos à segunda-feira?” Fazem-se, sempre se fizeram e não há razões para que não se façam, dizemos nós. Os concertos são quando um qualquer ser racional o quiser e Pixies á segunda-feira no Coliseu do Porto são disso exemplo.

Assim se fez, Fews a abrir (não os vimos ou ouvimos) e a espera que se seguiu até ao arranque de Pixies. Não, esperem lá. Já estão em palco mas o som falhou. Agora é que é, ladies and gentlemans…Pixies! Não, não é desta. À terceira é que é de vez. E foi. Depois de o som falhar duas vezes e a iluminação do minimalista palco, que lhes havia de servir de travessa ao desfiar de quase trinta músicas, também falhar, eis que os Pixies embarcam para um concerto regado a Head Carrier, novo álbum em fase de rodagem, e muitas memórias esbatidas.

Num Coliseu a dois terços da sua capacidade e um público, que na sua maioria e como seria de esperar já não podia dar uso ao Cartão Jovem, a banda de Black Francis não empolgou, não fez magia nem, a fazer fé na total ausência de palavras para a assistência, procurou criar empatia. O som, uma vez mais, também não ajudou, a voz de Francis mal se ouvia (a bateria sobrepunha-se a quase tudo) e na maior parte do tempo o ruído parecia ser a banda sonora da noite. Perdeu a banda, perdeu o público e perdeu a música.

Nem tudo foi mau. A espaços, deu para sentir uma certa nostalgia dos anos 90 e de um rock feito sem artificialidades ou “manhosices hipsterianas” como nas intemporais “Where Is My Mind” ou “Debaser”, não esquecendo as covers de “Head On” (um original de The Jesus and Mary Chain) e “Winterlong” (original de Neil Young).

Mas foi pouco e deu para perceber que Head Carrier dificilmente fará boa mossa na carreira dos Pixies. Não tem fogo dentro e passa como um longo bocejo entre o alinhamento. Bocejo que também foi entrevisto por entre boa parte dos temas vindos de Surfer Rosa ou Dooloittle, mas que cujo silêncio e pouca atenção dada pelo público tornaram mais audíveis aquando do novel disco.

Em suma, pouco mais de uma hora e meia de correria (“uma a seguir à outra” sem pausas) e um fumo que tomou conta do Coliseu no encore com “Into The White” a servir de resumo a esta actuação: toda a gente, incluindo os Pixies, à espera de um D. Sebastião formato música que nunca chegou a aparecer.
· 25 Nov 2016 · 16:29 ·
Fernando Gonçalves
f.guimaraesgoncalves@gmail.com

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