Moderat
LX Factory, Lisboa
31- Out 2016
A chuva pareceu ameaçar por breves instantes uma Lisboa bafejada pela sorte de reencontrar os Moderat num sítio perfeito para a sonoridade do trio: um armazém gigantesco, ideal para raves ilícitas e cujo único problema - especialmente para condutores - é não ter um sítio próximo onde estacionar. Pouco importa; os muitos que encheram o LX Factory certamente que não se importaram de pagar mais um euro ou dois se isso significou uma noite bem passada, e dançada.

É que à sua frente estiveram os Moderat, trio alemão que no século XXI tem o mesmo papel que os Underworld tiveram na década de 90 e os Daft Punk anos mais tarde: dar música electrónica a audiências rock. No fundo, eles mesmos são rock. Mesmo que o que se ouça seja um cruzamento de techno com outros sons mais popularuchos, a verdade é que transmitem uma energia considerável, rasgando por ali fora ao longo de hora e meia, vestindo sempre de negro. E há mesmo quem veja em Sascha Ring, vulgo Apparat, um menino com bastante pinta de rockstar...

O pedido ao início deixava antever o que aí viria: Moderat is a very dark show, podia ler-se, juntamente com o desejo de que não houvesse gente a fotografar com flash (o que aconteceu, claro, porque uma larga maioria do público é imbecil). Com uma hora de atraso, para que todos pudessem entrar e sentir na pele os efeitos desta máquina made in Germany, os Moderat foram traçando paralelos entre esta e a sua actuação no NOS Primavera Sound; o alinhamento não mudou muito, o espectáculo visual alimentado a lasers por lá continuava, e apenas o som se apresentou muito mais majestoso que no Porto. Salas fechadas parecem estar melhor talhadas para canções como "Rusty Nails" ou "Reminder", onde o verso parece propagar-se até ao infinito: Burning bridges light my way...

Normalmente aqueles entre nós que escrevem para webzines como esta fazem-se acompanhar do seu bloquinho de notas, mas em Moderat foi impossível recorrer a ele - não porque a luz ou os "colegas" do lado o impedissem, mas sim porque é muito difícil escrever quando os braços teimam em não estar quietos, tal qual o resto do corpo. Faria algum sentido ir ver Moderat e passar o concerto inteiro a olhar que nem um boi para um palácio? Claro que não, dance-se enquanto ainda se pode. Além disso, quando aqueles beats entram sala adentro soando a um verdadeiro terramoto, pouco mais há a dizer - não é preciso tirar notas para o relembrar depois. Os Moderat são gigantes, e só gostávamos de viver dentro do festão deles para sempre.
· 08 Nov 2016 · 23:41 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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