Rodrigo Amarante
Teatro Tivoli BBVA, Lisboa
28- Jun 2016
Não há hoje em dia um sítio em Lisboa que não transpire música. Dos vários acordeonistas nos Restauradores até à banda de versões dos Doors na Avenida, do house tropical em cada loja de roupa aos Scorpions na MEO Arena, chegando até Rodrigo Amarante - que não ficou apenas por Lisboa, decidiu ir conhecer o país durante uma semana, para uma vez mais apresentar, e matar, o álbum que fez com que muito boa gente se apaixonasse pelas suas canções e pela sua barba: Cavalo. De todos os suores, este é aquele que nos escorre melhor pelo rosto e pelo coração.

Como não? Basta vê-lo sorrir em palco, pasmado com a quantidade de gente que encheu o Tivoli, antes de enveredar por "Nada Em Vão", tema com que abre tanto o álbum quanto este concerto. Portugal criou nos últimos anos uma deliciosa relação com Amarante que, confessa, nas dez vezes que cá esteve ainda não foi conhecer a terra que lhe dá o apelido por intermédio do avô. Turismo espiritual à parte, só temos que lhe agradecer o bom gosto na escolha de países onde tocar. Porque as suas canções, belas e enternecedoras, continuam a tocar bem fundo cá na gente.



Após "Mon Nom", ouve-se alguém gritar: és amor! E o brasileiro retribui com muita conversa (e uma dose de consciência: tô falando p'ra caralho...), explicando sobre o que versam a maioria das canções que aqui toca. Ouve-se "I'm Ready", uma das mais bonitas. E monta-se "O Cometa" em homenagem ao poeta Ericson Pires, amigo de Amarante que deixou este mundo demasiado cedo. Quase que juramos ver uma lágrima no olho do carioca quando termina, a mesma lágrima que poderia ter surgido no nosso, durante "Irene". Onde há quem murmure os versos...

Ao piano ou à guitarra, Amarante mostrou-se sempre afável e generoso: ao pedido de "Tuyo", tema escrito para Narcos, o músico primeiro desobedece - tocando "Tardei" - e depois acede, pelo meio revelando ter escrito um poema sobre Lisboa no camarim, que envolvia gin (e fiquemos assim). Uma hora e mais de concerto, dois encores no final, uma dedicatória a Kalaf e um par de temas novos, e todos saíram do Tivoli mais cheios. Rodrigo Amarante é uma jóia viva. Não a vendam, nunca.
· 04 Jul 2016 · 15:06 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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