Mono / Helen Money
RCA, Lisboa
5- Mai 2015

Eis que o quarteto japonês vem novamente até nós, desta feita com disco duplo na bagagem - ou com dois discos na bagagem, consoante a importância que cada qual quiser atribuir a Rays Of Darkness / The Last Dawn, álbuns onde os Mono mantiveram a sua pegada pós-rock mas depositaram uma série de outras influências. No entanto, o que por aqui se ouviu mais foi, evidentemente, o imortal (passe a expressão) Hymn To The Immortal Wind, para muitos considerado o seu magnum opus. Nada contra. Continua a ser esse o exemplo máximo da magia dos Mono, a saudade traduzida em crescendo.

© Rita Sousa Vieira

Numa noite com um RCA bem composto e à espera da catarse, foi Helen Money quem começou por espantar. A violoncelista utiliza o seu instrumento como se de uma guitarra eléctrica se tratasse, aliando-o a pedais de efeitos vários e a uma caixa de ritmos industriais, espécie de drone doom made in academia que até aos Godflesh seria capaz de impôr algum respeito. Porém, e apesar da qualidade da música, somos tentados a afirmar que a qualidade de Helen Money passa mais pelo aspecto visual dos concertos que pela música em si - uma qualquer outra banda a fazer isto não teria a mesma graça que uma senhora e seu violoncelo metaleiro. Mas, bem, a música também pode ser uma arte visual.

© Rita Sousa Vieira

Já os Mono foram iguais a si mesmos, neste foi o terceiro concerto que deles vimos. O quarteto faz tudo ao contrário: primeiro a bonança, depois a tempestade, refugiada em torrente eléctrica. O som formula a paisagem de uma Kyoto perdida no tempo - por vezes parece estarmos dentro de um qualquer filme ou série de animação sobre samurais, Rurouni Kenshin à dianteira. É essa qualidade cinemática dos Mono que faz do grupo um dos grandes nomes do pós-rock do virar do milénio, o de conseguirem contar uma história apenas através do riff, orquestra afinada que se aplaude sempre que uma peça termina, mono no aware desvanecendo no éter. Gigantes, pois claro. "Ashes In The Snow" e "Everlasting Light" continuam a ser a melhor forma com que encerrar um concerto, findo o qual agradecem ao público, quando o contrário talvez se aplique melhor. Que nunca partam.

© Rita Sousa Vieira

© Rita Sousa Vieira

© Rita Sousa Vieira

© Rita Sousa Vieira
· 09 Mai 2015 · 16:43 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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