Calexico
Albert Hall, Manchester
30- Abr 2015
Bastante conhecidos do público português, que já os aplaudiu em diversas ocasiões, os Calexico editaram há cerca de duas semanas o álbum Edge of the Sun, o nono longa-duração de uma carreira respeitável e constante em lançamentos recomendáveis. Sem datas em Portugal, para já, à vista para promover o novo rebento, fomos espreitar uma das atuações na Europa para sabermos que músicos compõem na atualidade este coletivo prolífico e dinâmico, orientado pela batuta de Joey Burns e John Convertino, o núcleo duro da banda.

© Mike Hughes

A uma hora do início do concerto, o Bodyspace avistou John Convertino na rua a gozar de um inusitado fim de tarde soalheiro após uma chuva de granizo. Conta-nos, simpático, que adora Portugal, mas que o concerto no Festival de Paredes de Coura, há dois anos, não lhes correu de feição. O Bodyspace esteve lá e não testemunhou falhas de grande monta, mas Convertino refere-se essencialmente ao formato festival, com a atenção do público dispersa e dividida entre vários nomes e vários apelos inerentes ao recinto. Em relação ao concerto que estava prestes a proporcionar, o baterista dos Calexico não teria esses amargos de boca, visto que o Albert Hall, em Manchester (uma belíssima sala com tetos trabalhados e vitrais, herança da capela metodista que foi outrora) é um espaço que proporciona uma absorção mais eficaz do colorido que os Calexico se empenham em urdir.

© Mike Hughes

Sobem ao palco às 21h exatas, como manda a pontualidade britânica, e espalham-se pela parafernália instrumental que inclui como habitualmente cordas, teclados, sopros e percussão. São eles Joey Burns na guitarra e a assumir a liderança vocal, Convertino na bateria, Martin Wenk e Jacob Venezuela nos trompetes, Ryan Alfred no contrabaixo e baixo elétrico, Sergio Mendoza nos teclados e Jairo Zavala na guitarra barítono e a assegurar algumas intervenções em espanhol, que em álbum pertencem a outros convidados. Um desses convidados recorrentes é a cantora espanhola Amparo Sanchez, que tem acompanhado os Calexico este ano em digressão pela Europa, mas que, como nos contava Convertino, não pode estar presente em Manchester por imperativos ligados à sua própria carreira. Os Calexico são este conjunto de músicos acreditados que passam um maravilhoso tempo juntos a tocar e que entram e saem do comboio mediante a disponibilidade das suas preenchidas agendas. O espanhol Jairo Zavala, por exemplo, é o nome por detrás do belíssimo projeto Depedro (cf. álbum homónimo) que esteve há poucas semanas na Austrália em digressão. Definir a formação fixa dos Calexico é coisa complicada.

© Mike Hughes

Menos complicado é ouvir o que trazem os Calexico para Manchester e constatar que a banda não é capaz de conceber maus discos. Cumbia de Donde e Beneath the City of Dreams são pontos altos do novo álbum e também momentos -chave do concerto. Outros momentos importantes passariam, inevitavelmente, pela interpretação de clássicos como Sunken Waltz, Alone Again Or (a versão já conhecida para o tema original dos Love) e, já nos descontos (regressarão duas vezes ao palco), o dub latino de Güero Canelo. A surpresa do alinhamento seria, na reta final, a interpretação de Bigmouth Strikes Again dos The Smiths, em jeito de homenagem aos heróis locais e ao público da cidade. Assim não custa levar de vencido um concerto de duas horas.

Setlist
Falling From the Sky
Across the Wire
Cumbia de Donde 
Splitter
Two Silver Trees
Miles from the Sea
Coyoacán
Maybe on Monday
Moon Never Rises
Sunken Waltz
World Undone
Esperanza
Fortune Teller
Bullets & Rocks
Beneath the City of Dreams
Alone Again Or
Puerto
____
The Black Light
Roll Tango 
Bigmouth Strikes Again
Güero canelo 
____
Follow the River
War Machine
· 04 Mai 2015 · 12:15 ·
Eugénia Azevedo
eugeniaazevedo@bodyspace.net

Parceiros