Rodrigo Amarante
Palácio Sinel de Cordes, Lisboa
10- Out 2014
Poucos meses após dois concertos bem sucedidos no aquário da ZDB, a 3 e 4 de Junho, a mesma ZDB voltou a trazer o brasileiro Rodrigo Amarante a Lisboa. Ao contrário desses concertos, desta vez Amarante apresentou-se sem banda, apenas voz e guitarra. Desta vez o bardo barbudo actuou ainda num espaço diferente: o pátio central do Palácio Sinel de Cordes (agora sede da Trienal de Arquitectura de Lisboa) foi o espaço que recebeu esta terceira vinda do cantautor à capital portuguesa.

© Vera Marmelo

Perante uma plateia cheia, a maioria já conquistada à partida, o concerto arrancou com a tranquila “Nada em vão”. Apenas com voz e guitarra, Amarante consegue reproduzir de forma impecável a doçura musical que conhecemos do disco Cavalo, sem qualquer falha. Seguem-se outros temas do disco: “I’m ready”, “Mon nom” e a belíssima “Irene”. Pelo meio surge uma surpresa, “Wood & Graphite”, uma nova canção, em inglês. Sorridente, descontraído e brincalhão entre os temas, concentradíssimo na interpretação de cada música.

Regressa ao território conhecido com “O cometa”, com dedicatória ao poeta Ericson Pires (1971-2012), passa por “Um Milhão” (canção que Amarante apresentou na tour de 15 anos dos Los Hermanos), atravessa mais dois temas cheios de açúcar: “Idle Eyes” e “Tardei”. Amarante aproveitou depois para interpretar um tema de Angel Olsen, com quem andou a partilhar palcos, neste formato solo: “Unfucktheworld”. Houve espaço para outra novidade, uma outra canção nova, desta vez cantada em espanhol e com assobio.

Seguiram-se “Pode ser” da Orquestra Imperial (na herança de todo o samba) e “Hourglass”, que só foi à segunda tentativa, após uma entrada em falso – e foi aqui que mais se notou a ausência da banda, a canção precisava de um sólido apoio rock. “The Ribbon”, no seu tom sentimental, fechou o alinhamento oficial. O público aplaudiu e pediu, Amarante regressou para o encore: “Maná” e “Evaporar” (esta dos Little Joy), fecharam a actuação de forma definitiva.

© Vera Marmelo

Sendo inevitável a comparação com os concertos na ZDB em Junho, o alinhamento foi semelhante, com pequenos desvios. Desta vez Amarante tocou duas músicas novas e a cover de Olsen, ficaram a faltar as músicas ao piano - “Cavalo” e “Fall Asleep”. A ausência da banda quase não foi notada, pela forma impecável como a guitarra era trabalhada, bem como a voz – apesar dos poucos recursos utilizados, é incrível a semelhança ao som gravado em disco.
· 13 Out 2014 · 11:01 ·
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

Parceiros