Rodrigo Amarante
Galeria Zé dos Bois, Lisboa
03- Jun 2014
Libertando-se do peso dos Los Hermanos, a carreira de Rodrigo Amarante tem evoluído de forma interessante e consistente. Depois de colaborações com Devendra, da Orquestra Imperial e do trio Little Joy, o disco Cavalo consagrou definitivamente o barbudo brasileiro como impecável baladeiro. O aquário da ZDB encheu-se por duas noites para assistir à apresentação das canções cavalares (fomos assistir à primeira noite). Ao lado de Amarante estavam Tory Dahlhoff nos teclados e guitarra, Todd Dahlhoff no baixo e sintetizador e Mathew Compton na bateria.

© Vera Marmelo

Muito sorridente, Amarante revelou estar feliz por ver muitas caras conhecidas no “quartinho” (como chamou à ZDB). O concerto arrancou, tal como o próprio disco, com “Nada em vão” e essa entrada tranquila deu o mote para o resto da noite. Seguiram-se outros temas do disco: “Mon nom” (em francês), “O cometa” (regresso ao PT-BR), “I’m ready” (inglês). Apesar de ter passado a maior parte do tempo em pé, dedilhando a guitarra, Rodrigo Amarante passou também pelo piano. Foi aí que atacou a interpretação da homónima “Cavalo” e também de “Fall Asleep”.

“Tardei” foi uma das canções mais aplaudidas e acabou cantada quase em uníssono pelo público. Foi depois introduzida a primeira de duas excepções ao alinhamento de Cavalo: “Idle Eyes” (“find all that you love, he said”). Não faltaria, pouco depois, a belíssima e inevitável “Irene”. Rodrigo Amarante voltaria a fazer outro desvio ao disco, com o tema “Pode ser”, um original seu para a Orquestra Imperial. Apesar da toada do concerto ter sido geralmente mansa, houve espaço para um momento mais rock, com Amarante a apresentar-se em versão electrificada em dose dupla: primeiro com “Hourglass”, depois em “Maná”. Para encerrar ficou reservada “The Ribbon”, encerrando o alinhamento oficial no regresso ao terreno mais tranquilo.

© Vera Marmelo

O público aplaudiu vigorosamente, o encore foi obrigatório. Amarante aproveitou para repescar “Evaporar”, composição que gravou com os Little Joy. A insistência do público não deixou Amarante ir embora sem um segundo regresso ao palco. “Um Milhão”, canção que Amarante apresentou na tour de 15 anos dos Los Hermanos, foi a escolhida para fechar definitivamente o concerto. Para a memória ficam as canções açucaradas.
· 05 Jun 2014 · 11:01 ·
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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