João Paulo
Centro Cultural de Belém, Lisboa
22- Nov 2012
Desde 2006, ano da edição de Memórias de Quem (Clean Feed), que o pianista João Paulo não edita material original a solo. É verdade que não tem estado parado: entretanto gravou composições de Carlos Bica (White Works), editou dois discos em duo com o trompetista americano Dennis González (os belíssimos Scapegrace e So Soft Yet) e colabora no grupo “Matéria Prima” de Carlos Bica (com disco homónimo), entre outras parcerias e projectos. Mas já há muito tempo que não o ouvíamos sozinho ao piano explorando o seu próprio material, pelo que a notícia de um concerto a solo no CCB seria um excelente prenúncio.

O pequeno auditório do CCB não chegou a encher para receber o pianista, sobrando alguns lugares vazios. João Paulo começou a actuação apresentando uma sequência de temas improvisados. No entanto, cada tema ia sendo estruturado em tempo real, de tal forma que parecia estarmos a ouvir uma composição previamente trabalhada. Na segunda parte do concerto o pianista abordou uma série de composições, baseadas na tradição sefardita ou popular portuguesa. Navegando na melodia de cada tema, João Paulo ia improvisando com um riquíssimo sentido lírico, incrementando sentimento aos temas, ao mesmo tempo que desfilava originalidade pelas teclas pretas e brancas.

Uma das excepções ao alinhamento citado foi a revisão do standard “I love Paris” de Cole Porter. Não tem sido comum vermos o pianista a trabalhar temas do songbook americano, mas a elegância com que esta composição foi revirada deixou-nos com água na boca para algo mais. Apesar de pouco público, este soube estar à altura: os aplausos só pararam no final de dois encores, que prolongaram o doce sabor daquele improvisado melodismo. E agora, para quando disco novo a solo?
· 26 Nov 2012 · 14:49 ·
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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