The National
Campo Pequeno, Lisboa
24 Mai 2011
Quando os Dark Dark Dark entram em palco, a sua vocalista desabafa «This place ir really big!». Na verdade, pelas 21 horas o recinto do Campo Pequeno parece muito grande, tanto é o espaço livre. A voz de Nona Marie Invie até casa bem com a sonoridade melancólica e envolvente da banda, mas ao fim de três temas ficamos presos num beco criativo sem saída. A banda chama-se Dark Dark Dark e a apresentação esteve longe de ser brilhante. Não fossem as nuances introduzidas pelo acordeão e o clarinete, e a formação indie cairia na completa vulgaridade.

© Mauro Mota

Outra cor teve a prestação dos protagonistas da noite. Pelas músicas (com grande enfoque no mais recente High Violet, álbum pleno de maturidade e poesia), pela comunhão com o público e pelas projecções vídeo que deram o tom certo a cada tema. “Start a War” abriu a noite, pintado a violeta, e seguiram-se quadros impressionistas e psicadélicos, sob uma paleta de cores quentes e frias, que suportaram uma banda que não é de grandes movimentações pelo palco, dando uma dinâmica acrescida ao concerto. A noite estava quente, Verão fora de época como tem sido costume, mas durante “Anyone’s Ghost”uma brisa percorre a sala, como se fantasmas passionais se juntassem à dança.

© Mauro Mota

O alinhamento vai reflectindo a sonoridade da banda, feita do contraste entre as vocalizações normalmente contidas de Matt Berninger (que apenas se descontrola por momentos, como em “Squalor Victoria” ou “Abel”, uma das poucas de Alligator) e a base instrumental. A guitarra tece para depois rasgar e a bateria, quando arranca, não pára em nenhuma estação. Destaques para a enérgica "Bloodbuzz Ohio”, “Afraid of Everyone” (pares de olhos gigantes projectados atrás da banda, como Big Brothers numa vigília permanente), “Fake Empire” e “Sorrow”, com a confissão magoada “I don`t wanna get over you” – quem nunca ficou refém duma relação amorosa que atire a primeira pedra! O público acompanha-a em respeitoso silêncio, para explodir numa ovação final.

© Mauro Mota

Os encores são dois, marcados por uma mão-cheia de temas. “Friend of Mine”, com a banda a mexer-se um pouco mais ao sabor duma música que já não tocava há bastante tempo; “Mr. November” (as projecções ora sugerem que estão a tocar perante um estádio lotado, ora no recolhimento do estúdio); “Terrible Love”, com algum feedback a humanizar a prestação e um final arrasador, cadência descontrolada em loop instrumental e lírico; em “About Today” as palavras vão pingando como gotas, e a chuva passa a bátega, como numa noite quente de trovoada. Para a noite terminar em beleza, o pano de fundo volta a encher-se de violeta. Mas agora é a platéia que canta, enquanto os National tocam “Vanderlyle Crybaby Geeks”, desligados da corrente, num bonito momento de partilha.
· 25 Mai 2011 · 18:40 ·
Hugo Rocha Pereira
hrochapereira@bodyspace.net

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