Beach House
Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
18 Mar 2010
Vivemos tempos maravilhosos. Uma banda como os Beach House, que ainda há pouco tempo fazia as delícias de meia dúzia de crentes (passe o exagero), enche quase por completo uma sala como a principal do Centro Cultural Vila Flor. Quero dizer, vivemos tempos maravilhosos se esquecermos a tão proclamada instabilidade social e económica e outras coisas que tais. E uma banda como os Beach House pode ser muito bem a banda perfeita para esquecer tudo isso e entregar corpo e alma ao podes das canções. Com novo disco debaixo do braço (Teen Dream, facilmente um dos melhores discos do ano que decorre), os Beach House vieram tentar conquistar de vez o público português e a tarefa foi totalmente cumprida.

Os encantos dos Beach House são fáceis de ver: canções pop perfeitas adocicadas pela voz irrepreensível de Victoria Legrand. Canções de peito cheio, formosas, desavergonhadamente sentimentalistas e apaixonadas. Nos dois primeiros discos, canções mais reservadas. Com Teen Dream, percebemos agora depois de os ver ao vivo com este novo disco, canções mais expansivas, para salas maiores, para públicos mais amplos. O concerto em Guimarães, comparado com o concerto não há muito pouco tempo no Passos Manuel, foi o concerto de estádio dos Beach House (a adorável Victoria não deixou de se mostrar surpreendida com a quantidade de público na sala).

No que ao concerto propriamente dito diz respeito, duas ideias principais a registar. Uma sensação dominante de perfeição e profunda beleza; e uma ideia apesar de tudo constante de uma perfeição exagerada (e falta de espaço para surpresas) que por vezes dava ao concerto a sensação que não ter muito a acrescentar à normal audição dos discos dos Beach House no sofá lá de casa. Entre espanto provocado pela beleza produzida em palco e a sensação dos Beach House estarem em piloto automático vai uma grande distância, mas a sensação a meio caminho entre as duas ideias serve ainda sim para sustentar a memória de um óptimo concerto. Estes dois são capazes de escrever grandes canções pop e foram um dos melhores desta década que passou. Esta se calhar será uma despedida aos Beach House, mas foi uma despedida das boas. Pelo menos deu para esquecer conceitos tão actuais como balanço, capital próprio, passivo, activo, margem de contribuição e ponto crítico.
· 22 Mar 2010 · 00:24 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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