AC/DC
Estádio de Alvalade XXI, Lisboa
03 Jun 2009
Comecemos esta apreciação ao concerto dos AC/DC que esgotou o Estádio de Alvalade com uma citação: "So exciting the audience will clap and cheer / So delightful it will run for 50 years". O excerto de uma canção de Moulin Rouge, de Baz Luhrmann, pertencendo a um filme que não é grande coisa, é bastante apropriada para o caso. Os AC/DC não dão maus concertos. Angus Young não tira maus sons da sua guitarra, e não perdeu o gosto pelo duck-walk. Cliff Williams, Malcolm Young e o extra-cool Phil Rudd não perdem rasto do suporte rítmico que as músicas precisam nem por um segundo. O público, as dezenas de milhares de pessoas, não resistem a gritar coisas como “THUN-DER” ou “HIIIIGHWAY-TA-HELL” ao mesmo tempo que Brian Johnson. Porque é fácil. Porque é divertido. Porque é contagiante. Porque é bom.

Ponha-se a devoção ligeiramente para o lado, e descreva-se aquilo que se passou. Os AC/DC devem gastar mais dinheiro na manutenção dos apetrechos de palco, do que propriamente em novo material. Estão lá tantas coisas de digressões anteriores. O sino em que Brian Johnson se pendura durante “Hell’s Bells”, a boneca insuflável voluptuosa de “Whole Lotta Rosie”, o strip de Angus durante “The Jack”, os canhões que disparam durante o final apoteótico de “For Those About To Rock (We Salute You)” (já lá vamos). E o que completa encaixa-se na perfeição. A locomotiva que surge depois do filme animado pré-música, com um desastre ferroviário que parece irromper palco adentro, e dá o mote para a inaugural “Rock And Roll Train”. A passadeira que mete pelo meio do público, tantas e tantas vezes usadas pelos inesgotáveis Brian e Angus. A plataforma onde Angus toca, sola, contorce-se durante 15 minutos durante “Let There Be Rock”. Os canhões de fogo que parecem consumir a locomotiva durante “TNT”. É o espectáculo itinerante que esperamos sempre ansiosamente que passe pela nossa cidade. Sabe-se que vai cumprir e levar a adrenalina ao rubro, porque é único naquilo que faz, e não tem nem uma baladinha de amostra para desvirtuar. Algo que estraga muito bom concerto rock. Nada de isqueiros/telemóveis ao alto, senhores!

O alinhamento foi apenas uma questão de manter o público em ebulição constante, e tirar-lhe a tampa a intervalos regulares. “Back In Black”, “Thunderstruck”, “The Jack”, “TNT”, “Let There Be Rock” foram alguns dos exemplos em que isso se verificou, e a euforia transbordou das paredes do estádio. O encore trouxe Angus das profundezas para, claro, “Highway To Hell” e a já mencionada “For Those About To Rock (We Salute You)”. Mais um riff de antologia, mais um refrão para cantar com outros milhares de pessoas, e uma série de estrondos para fechar duas horas de concerto que ninguém presente deverá esquecer. Cite-se agora os Kaiser Chiefs: "Take a look at the kids on the street / No they never miss a beat". Exactamente! Olhem bem para estes, que não têm concorrência.

PS: O estádio estava cheio e pronto à hora marcada das 21:45. Por favor deixem de dizer que os concertos cá têm que começar das 23:00 em diante. Obrigado!
· 05 Jun 2009 · 16:57 ·
Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com

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