Tara Jane O'Neil / Jana Hunter
Cafe La Palma, Madrid
10 Mai 2007
Não é só pelos seus discos mas também pela quantidade de projectos a que esteve ou está ligada (mais ou menos directos, com maior ou menor papel): Rodan, Sonora Pine, Retsin, Sebadoh, Come, Papa M, Archer Prewitt, Ida, Jackie-O Motherfucker, entre outros. Invejável. Algo deu a sensação naqueles momentos iniciais que aquele ia ser um bom concerto. Talvez pela forma como entrou em palco, bem disposta, ou pela maneira como começou a construir paisagens com uma guitarra eléctrica com a ajuda de um slide. O território é fértil o suficiente para que, sem que demos por isso, se construam canções ou se explorem paisagens sem uso de palavras. A barreira pareceu sempre bastante ténue.

Jana Hunter © Angela Costa

O motivo do concerto seria o EP editado recentemente pela madrilena Acuarela, Raveling, mas a actuação de Tara Jane O'Neil - é dela que aqui se fala – foi mais do que isso. Talvez tenha pecado pela sua curta duração, mas o concerto que Tara Jane O'Neil ofereceu foi apetecível enquanto durou. Tanto quando o experimentalismo foi dominante, como quando algo de pop reluzia nas suas canções, como quando uma certa folk emergia e se fazia sentir lá ao fundo. Muito se esconde nas canções de Tara Jane O'Neil; muito se escondem as canções de Tara Jane O'Neil, que envergava uma t-shirt onde se podia ler “Thirty Something”. Actuação curta mas bastante positiva.

Tara Jane O'Neil © Angela Costa

Na primeira parte da noite actuou a norte-americana Jana Hunter, mais conhecida pela sua ligação com Devendra Banhart com quem gravou um split. Foi também a editora que Devendra Banhart partilha com Andy Cabic dos Vetiver, a Gnomonsong, que editou o seu primeiro disco, Blank Unstaring Heirs of Doom. There's no home é o seu segundo disco, editado muito recentemente. Curiosamente, a actuação de Jana Hunter começou a lembrar Devendra Banhart na guitarra acústica e de certa forma na voz, mas depois notou-se na norte-americana algo seu, algo próprio. Jana Hunter, aparentemente pouco à vontade em palco, foi capaz do melhor e do menos bom. O passeio entre as novas canções e as canções do passado não foi sempre interessante. Um certo miolo da sua actuação roçou o aborrecido. Felizmente na recta final do concerto, a norte-americana apresentou algumas canções que concretizaram a muito desejada redenção. Actuação curta e ligeiramente acima da média.
· 10 Mai 2007 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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