Pop Dell´Arte
Maus Hábitos, Porto
20 Jan 2007
A celebrar vinte anos de carreira, POPlastik 1985 - 2005, editado o ano passado, mostrava precisamente vinte temas que demonstram o sucesso das explorações free pop dos Pop Dell’Arte. Apesar das indefinições quando ao futuro da banda, os Pop Dell’Arte continuam a aparecer ocasionalmente em palcos portugueses, apesar de já não editarem musica original desde o EP So Goodnight, editado em 2002. Numa deslocação ao norte do país apresentaram-se na Casa das Artes de Arcos de Valdevez e no dia seguinte no Maus Hábitos, no Porto. A sala de concertos do Maus Hábitos é agora (e já há algum tempo) um espaço mais amplo e apetecível, depois das obras de ampliação do espaço.

João Peste está em forma. Liderou ao longo de bastante mais de uma hora uns Pop Dell’Arte que responderam ainda que inadvertidamente a um pedido lançado do público no inicio do concerto: “queremos ouvi-las todas”. Começaram por volta da meia-noite com a sonhadora “So Goodnight” para anunciar que a noite ainda estava a começar. E a partir daí foi a diversidade dos Pop Dell’Arte a tomar conta das coisas: com o surrealismo de “Querelle” espicaçada por uma cow bell (e alimentada por vozes em devaneio e guitarras prontas a explodir), a fantasista “Sonhos Pop”, com o encanto equilibradamente sombrio de “Stranger Than Summertime” (a beleza mais directa dos Pop Dell’Arte) e “Janis Pearl, como não, sobre a eterna Janis Joplin e por isso alimentada por substâncias várias. As projecções em palco disparavam imagens coincidentes com o imaginário das canções.

Pop dell’ Arte © Pedro Rios

Dizer que as canções mais antigas e as mais recentes convivem especialmente bem não é surpresa nenhuma tendo em conta precisamente a capacidade dos Pop Dell’Arte para não se repetirem e, acima de tudo, para não soarem desactualizados – “My Funny Ana Lana”, um dos temas apresentados numa fase mais rock do concerto, será um temas que melhor ilustram essa ideia. “Rio Line” fez mossa, “O Amor é… um gajo estranho” também – ambas de formas distintas. Não faltou “Esborre” nem “Zip Zap Woman”. Não faltou sequer a intromissão “Poppa Mundi” – a abrir um longo encore, que fez um casal saltar para junto do palco em animada dança.

Pop dell’ Arte © Pedro Rios

Já se desconfiava e agora parece oficial. Aquela que foi provavelmente a banda mais original a actuar nos anos 80 em Portugal está a saber envelhecer. Há qualquer coisa de nostálgico e recuperador no presente dos Pop Dell’Arte mas isso não prejudica a forma como estão na música hoje em dia. Se há alguns relatos de concertos menos positivos, também parece haver razões para crer que o contrário pode acontecer e acontece mesmo. E enquanto um novo disco não surge no horizonte, as actuações ao vivo vão mantendo a chama acesa. A chama do free pop que os Pop Dell’Arte tão bem empunham. Ainda e sempre.
· 20 Jan 2007 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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