Keith Rowe / Ernesto Rodrigues + Pedro Rebelo + Guilherme Rodrigues
Galeria Zé dos Bois, Lisboa
10 Nov 2006
Esta semana que acaba de passar foi extremamente activa para a cena experimental lisboeta. Na terça feira o pioneiro Phill Niblock actuou no espaço Bomba Suicida com um trio português (Manuel Mota, André Gonçalves, David Maranha) numa sessão multimédia de drone e projecção vídeo. Na quinta-feira a Variable Geometry Orchestra encheu a loja Trem Azul para mais uma sessão de massa sonora parcialmente controlada. E ontem a Galeria Zé dos Bois acolheu Keith Rowe e um trio improvisador português liderado por Ernesto Rodrigues para umas originais Avant Methods Sessions.

A primeira parte esteve a cargo do violinista Ernesto Rodrigues, que teve a companhia do filho Guilherme Rodrigues (violoncelo) e de Pedro Rebelo (laptop/electrónicas). Apesar do concerto não ter sido longo - cerca de meia hora - os músicos explanaram concretamente as suas ideias, desenvolvendo texturas e micro-sons a partir das abordagens pouco convencionais aos instrumentos. A electrónica de Rebelo foi o principal foco de interesse do trio, particularmente pelo modo como se adaptou ao universo da música reducionista dos Rodrigues – atenção à vaga de discos que acabam agora de ser editados na Creative Sources.

Na segunda parte o histórico Keith Rowe actuou a solo. Acompanhado com uma série de rádios e objectos electrónicos foi estruturando camadas de sons que se sobrepunham e construíam uma massa composta por diversas texturas. O inglês que fez história com o grupo AMM não trouxe a guitarra com a qual desenvolveu técnicas originais e influenciou gerações de improvisadores, mas explorou formas sonoras próximas das registadas no disco (N:Q) editado recentemente pela Esquilo.

No final do solo de Rowe o trio luso subiu ao palco para uma sessão em conjunto com o inglês. O laptop ficou desligado e Rebelo atacou as cordas do piano, a dupla Rodrigues explorou as madeiras dos instrumentos respectivos e Keith Rowe deixou-se estar discreto, com um ou outro pormenor. Conclusão: a cena experimental está bem viva e recomenda-se.
· 10 Nov 2006 · 08:00 ·
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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