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Dead Combo
Lisboa Mulata
· 28 Out 2011 · 00:40 ·
Dead Combo
Lisboa Mulata
2011
Universal Music


Sítios oficiais:
- Dead Combo
- Universal Music
Dead Combo
Lisboa Mulata
2011
Universal Music


Sítios oficiais:
- Dead Combo
- Universal Music
MulatiCidade
Quantas cidades cabem em Lisboa? Quantos aromas e formas, sabores, tons de pele e sons, carpidos e escutados? Possivelmente tantas quantas as viagens trágico-heróicas que ajudaram a construir e desfazer um Império, de que somos causa e efeito. Uma teia de gestos e cinzas que, à bruta ou por amor, misturou gentes e culturas, criando algo que hoje em dia está muito em voga classificar como “lusofonia” aka conjunto de identidades culturais existentes nos países onde se fala a língua portuguesa e em diversas comunidades espalhadas pelo mundo. Sim, é bom lembrar - mais a mais numa época em que se discutem eurobonds e os "trabalhadores povos do Norte" encostam os "mandriões do Sul" à parede - que podemos ter raízes europeias, mas a nossa identidade e maior riqueza se encontram espalhadas (e espelhadas) por África, Brasil e outras paragens...

E se Lisboa Mulata não se deixa confinar pelas balizas lusófonas (continuam a avistar-se cowboys; em “Ouvi o Texto Muito ao Longe” Camané parece sussurrar as palavras escritas por Sérgio Godinho na vastidão de uma qualquer pradaria norte-americana), nunca essa miscigenação que desembocou no melting pot contemporâneo terá estado tão presente na música de Dead Combo. A faixa-título abre o disco em passo estugado, que nos faz percorrer diversas latitudes culturais da capital; balanço renovado na esquina em que se descansa a beber umas cervejas frescas na companhia de uma gulosa cachupa, antes de voltar a incendiar os sentidos ao sabor de uma morna. A “portugalidade”, tão cara em tempos de crise, também continua vincada, no jeito subversivo (e genial) de descambar com uma marchinha de Santo António (no que contam com a colaboração do enorme Marc Ribot, cuja inspiração haviam já homenageado em Vol. 1) ou no quase fado encantatório de “Esse Olhar Que Era Só Teu”.

Com os pés assentes no rectângulo, onde bebem referências íntimas e exóticas, mas de olhos e espírito além-fronteiras, Tó Trips e Pedro Gonçalves continuam a construir um universo particular (único, genuíno) que pode ser apreciado com os cinco sentidos - e noutros tantos continentes.
Hugo Rocha Pereira
hrochapereira@bodyspace.net
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