DISCOS
The XX
XX
· 01 Out 2009 · 16:02 ·
The XX
XX
2009
Young Turks / Popstock


Sítios oficiais:
- The XX
- Young Turks
The XX
XX
2009
Young Turks / Popstock


Sítios oficiais:
- The XX
- Young Turks
Sexo adolescente sem preconceitos para dias toldados, húmidos e enevoados. Haja fantasias.
Para um músico nem sempre é um requisito obrigatório a ambição de inventar algo de novo. Muitas vezes basta uma boa ideia para levar a água ao seu moinho. Uma ideia simples como ignição que reúna um grupo de amigos sobre o mesmo propósito, que se complementem mutuamente. O resto será inspiração pura e uma boa dose de sorte. Os The XX parecem ter encontrado ambas logo na primeira assentada sem sequer se terem preocupado em demasia com o que por aí é feito para alimentar as massas, tal a consistência, elegância e jovialidade do seu álbum de estreia.

Não é essencial saber a origem destes quatro jovens ou se fazem parte de uma geração de músicos semi-deprimidos e desiludidos com as pressões da sociedade urbana sobre uma adolescência outrora ideológica e esperançosa. Mas que olham atentos para as relações amorosas de forma superficial com o sexo como objectivo imediato, para vida boémia em busca da conquistas rápidas – com perfeita consciência da irrelevância do carácter individual – enquanto se frustram com amores proibidos ou não correspondidos, disso parece não haver grandes dúvidas. Talvez sejam canções escritas na primeira pessoa. Ou talvez não. O que interessa é esta música despreconceitosa com que nos encantam – mesmo que talvez falem do que nunca experimentaram – construída a partir da observação do quotidiano de qualquer adolescente.

No tom desapegado com que se expressam mostram alguma indiferença e frieza em contraste com a sentimentalidade que os acordes mais básicos vão provocando. Há aqui uma rara beleza a extravasar melancolia que arrebata qualquer alma desprevenida. Tudo muito simples, directo e limpo de adornos desnecessários. Às vezes nada mais é necessário para transmitir o que se quer dizer. XX é pop new wave ressacada produzida às quatro da manhã complementada com laivos de r&b. É escura, espaçosa, minimalista por opção que não procura atormentar ninguém mesmo que caminhe em becos sujos e suspeitos. É uma música acima de tudo honesta, despretensiosa e de recortes exactos indicada para dias sombrios e invernosos.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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