Old Jerusalem
O Meu Mercedes é Maior que o Teu, Porto
· 09 Mar 2007 · 08:00 ·
09 Mar 2007
De 2003 até ao ano que corre Francisco Silva, o nome por detrás do projecto Old Jerusalem, lançou já três discos. O bem recebido April, Twice the humbling sun e o mais recente The Temple Bell. Com isso ganhou a privilegiada posição de um dos mais interessantes escritores de canções portugueses da nova geração. Três discos distintos mas com uma mesma linha comum: simplicidade, boas canções e óptimas letras. No meio disco tudo apetece dizer que The Temple Bell é o melhor disco de Old Jerusalem até à data, e por isso a primeira oportunidade de ver Francisco Silva apresentar as suas novas canções em concerto parecia tentadora.
Tal como o próprio tem vindo a afirmar nos últimos tempos, Old Jerusalem é e tende a tornar-se cada vez mais numa banda, e por isso a bateria e o baixo que se podiam avistar no palco do Mercedes não causaram especialmente estranhamento. Apesar de Francisco Silva ter afirmado que a “banda” apensa ensaiou duas vezes antes do concerto, a espécie de química entre os três músicos em palco foi mais do que suficiente para levar as canções de The Temple Bell a bom porto. “Her Scarf” por exemplo, longe do som cheio da versão original, foi transposta para o concerto em versão mais intimista e reservada.
Intimista é exactamente a palavra que se pode aplicar ao concerto de Old Jerusalem, apesar do factor banda. Mas há algo de diferentes nas actuações de Old Jerusalem quando comparadas com outras de outros tempos. Francisco Silva está mais calmo e sereno em palco, demonstra mais tranquilidade durante e entre as canções. Entretanto até lhe descobrimos um lado de humorista que se manteve aparentemente escondido até agora. E é claro que todo este ambiente positivo se reflecte no decorrer da actuação. “Love & Cows”, um dos momentos esperados da noite, é reflexo desse momento bem-humorado de Francisco Silva.
Como não podia deixar de ser, “Grasshoppers”, do último The Temple Bell é um momento alto mal se escutam os primeiros segundos. O mesmo para “Seasons”, retirada de Twice the humbling sun. Ambas democraticamente intimistas e delicadas. “180 Days”, do mesmo segundo álbum, contrasta por ser o tema mais rock de sempre com assinatura Old Jerusalem e resulta especialmente bem ao vivo. No meio de temas de discos seus houve ainda espaço para temas extras, como uma canção que será incluída no terceiro volume do Acuarela Songs, compilação da editora madrilena Acuarela, da qual Francisco Silva confessou ser fã.
O tempo deu a Francisco Silva a capacidade de ser tão interessante ao vivo quanto o é em disco. A balança é agora mais justa e equilibrada. Talvez seja a experiência, talvez seja o facto de ter em mãos três discos – todos eles com qualidade acima da média. Old Jerusalem é cada vez mais sinónimo de banda e de bons concertos. E o público tratou de sublinhá-lo sempre que teve hipótese.
André Gomes![]() |
© Ana Sofia Marques |
Tal como o próprio tem vindo a afirmar nos últimos tempos, Old Jerusalem é e tende a tornar-se cada vez mais numa banda, e por isso a bateria e o baixo que se podiam avistar no palco do Mercedes não causaram especialmente estranhamento. Apesar de Francisco Silva ter afirmado que a “banda” apensa ensaiou duas vezes antes do concerto, a espécie de química entre os três músicos em palco foi mais do que suficiente para levar as canções de The Temple Bell a bom porto. “Her Scarf” por exemplo, longe do som cheio da versão original, foi transposta para o concerto em versão mais intimista e reservada.
Intimista é exactamente a palavra que se pode aplicar ao concerto de Old Jerusalem, apesar do factor banda. Mas há algo de diferentes nas actuações de Old Jerusalem quando comparadas com outras de outros tempos. Francisco Silva está mais calmo e sereno em palco, demonstra mais tranquilidade durante e entre as canções. Entretanto até lhe descobrimos um lado de humorista que se manteve aparentemente escondido até agora. E é claro que todo este ambiente positivo se reflecte no decorrer da actuação. “Love & Cows”, um dos momentos esperados da noite, é reflexo desse momento bem-humorado de Francisco Silva.
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© Ana Sofia Marques |
Como não podia deixar de ser, “Grasshoppers”, do último The Temple Bell é um momento alto mal se escutam os primeiros segundos. O mesmo para “Seasons”, retirada de Twice the humbling sun. Ambas democraticamente intimistas e delicadas. “180 Days”, do mesmo segundo álbum, contrasta por ser o tema mais rock de sempre com assinatura Old Jerusalem e resulta especialmente bem ao vivo. No meio de temas de discos seus houve ainda espaço para temas extras, como uma canção que será incluída no terceiro volume do Acuarela Songs, compilação da editora madrilena Acuarela, da qual Francisco Silva confessou ser fã.
O tempo deu a Francisco Silva a capacidade de ser tão interessante ao vivo quanto o é em disco. A balança é agora mais justa e equilibrada. Talvez seja a experiência, talvez seja o facto de ter em mãos três discos – todos eles com qualidade acima da média. Old Jerusalem é cada vez mais sinónimo de banda e de bons concertos. E o público tratou de sublinhá-lo sempre que teve hipótese.
andregomes@bodyspace.net
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