O jazz tem uma nova casa no Porto; e tem cheiro a Nova Iorque
· 10 Jan 2011 · 22:53 ·


O número 147 da Rua 31 de Janeiro, no Porto, tem as portas abertas ao jazz desde o dia 10 de Dezembro. E lá dentro, de todo o edifício, tem um cheiro de Nova Iorque; de um bairro em especial, Tribeca. Paulo Rocha e Alfredo Pontes são apaixonados pela cidade que nunca dorme e quiseram transportar para o Porto, em perfeita explosão cultural e de animação (que se misturam muitas vezes com sucesso), esse mesmo espírito. Apresentado como o maior bar de jazz do país, o Tribeca, assim se chama o novo espaço jazzístico, terá programação regular no bar, um café e um restaurante. Cinco andares de jazz e algum soul e blues. Fomos falar com Alfredo Pontes que, numa pequena entrevista, nos contou o que quer e pode ser o Tribeca para a cidade do Porto.

Nos últimos tempos o Porto tem criado alguns locais na cidade onde se pode ouvir jazz. Lembro-me do Hot Five, do Breyner, e até no Galeria de Paris e na Casa do Livro. Como é que assistem este crescimento do jazz na cidade?

Fico bastante satisfeito, pois é necessário que cada vez mais casas, apostem na música ao vivo de qualidade e neste sentido promover a música jazz e os nossos músicos em detrimento de música gravada.

Nesse sentido, como é que o Tribeca se posiciona entre esses novos locais e até outros locais como a Casa da Música?

O Tribeca diferencia-se dos outros bares por proporcionar quer aos músicos quer aos ouvintes, um local bastante agradável e confortável com um serviço de qualidade. A nossa programação musical é alvo de análise cuidada, para que a musica vá de encontro aos nossos clientes tipo, o nosso targett. Face á casa da Musica, a diferença é enorme pois nós somos um clube de Jazz e eles são uma sala de espectáculos que cobram bilhetes e têm apoio do estado, no Tribeca é tudo custeado por nós.

Qual acham que será o lugar do jazz no porto daqui a uma década? Acham que o público tem tendência a crescer, até com o aparecimento destes novos espaços?

Sim, o que é necessário é divulgar o Jazz, não como um estilo de música intelectual, mas popular como o Jazz é nas suas raízes.

O que quiseram transportar de Nova Iorque para o Porto para além do sentido de estética do “bar”?

O Jazz está umbilicalmente ligado com a vida nocturna dos anos 20 de Nova Iorque e Tribeca é um bairro onde existem bastantes clubes de Jazz, um Jazz mais swingado, tal como o que pretendemos para o Tribeca, e não um jazz experimental ou free jazz, como se ouve por vezes em alguns bares.

Na balança o que é que pesa mais, o investimento monetário ou o sentimental?

O prazer e o gosto pela musica, nomeadamente o jazz, aliado a uma forma de investimento, fazem do Tribeca uma empresa que tal como qualquer outra empresa terá que ser rentável.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net