ENTREVISTAS
Éme
Um lugar ao sol
· 24 Set 2014 · 16:18 ·
Encontramo-nos com João Marcelo, ou Éme, quando a tarde mal começa a raiar sobre São Sebastião, ainda a chuva que nos tem apoquentado não nos desaba sobre as cabeças. O pequeno-almoço tardio serve para uma conversa sobre canções, mais concretamente aquelas que fazem parte de Último Siso, o seu segundo - e óptimo - disco a solo. Protégé de B Fachada, amante de gatos e gatinhas, "gajo da folk" que cresceu e deixou de o ser, João Marcelo cresceu exponencialmente desde Gância; não se espere ouvir, aqui, a pureza contemplativa das canções que compunham esse disco nem a sujidade lo-fi do seu primeiro EP, muito menos as guitarras agressivas dos Passos Em Volta. Não, Último Siso é um belíssimo disco pop, e Éme é, como a pop, pertença do povo. Em discurso directo, e sem dores de dentes, falou ao Bodyspace, antes de se apresentar ao vivo na Casa Independente, no Passos Manuel e na Casazul, em Barcelos.
Quanto do Bill Fay é que cabe neste disco agora que fizeste a barba?

É uma boa pergunta... não sei. O Bill Fay tem montes de mitologias...

...e enquanto Éme procuras criar a tua própria mitologia?

Sei lá. Não gosto de dizer tudo, não gosto de falar da forma como faço tudo, senão perde imensa piada ouvir música se revelares os truques todos. É sempre uma cena mais ou menos de não te enganares a ti próprio e tentares enganar um bocadinho as pessoas, de uma forma simpática.

Tipo Fernando Pessoa, «o poeta é um fingidor»?

Não, é aquela ideia de que se estás a fazer música para pessoas obviamente que vais ter isso em conta e vais tentar dar alguma coisa. Se eu estivesse a fazer música só para mim não editava, e se calhar era uma coisa assim mesmo muito genuína...

Isso quer dizer que não te consideras genuíno?

Não sei, eu só acho que não é assim... não sei se é a característica mais relevante para fazeres música ou canções. Sobretudo canções.

Com tantas discussões que há agora sobre a autenticidade dos artistas...

É uma coisa que, por exemplo, para mim não [tem interesse]. Obviamente [as canções] têm sempre um quê de autobiografia, mas também estás sempre a construir. Uma das cenas mais importantes, para mim, é construir às costas do que já está feito. É meio estranho porque [o formato canção] é um formato mesmo muito estanque, é um formato que parece que está sempre parado, é sempre mais uma ou menos uma. E a única coisa que podes fazer é tentares construir às costas das pessoas, veres o que é que as pessoas que estão à tua volta estão a fazer bem. E não é exactamente pegar aí e construir para cima, mas tentar perceber porque é que estão a fazer bem.

Constróis sempre à volta dessas influências?

Claro. E cada vez mais as minhas influências são de pessoas que eu conheço. Isso é que é bom; tira-te um bocado a cena da idolatria, põe-te num patamar mais humano. Neste disco [isso] foi bué importante, no Gância se calhar não tanto. Neste [foi como] a cena do Dylan ter ido falar com o Woody Guthrie, de perceber o lado humano, perceber que não estás isolado e que não és só o produto de uma cultura, és produto da humanidade. Não como um todo da humanidade, [mas] das pessoas que te rodeiam, não estares a tratar as pessoas como se fossem mais ou menos do que isso. As pessoas que te ouvem não são idiotas, são pessoas como tu e como o Bob Dylan. Essa percepção é muito importante para mim.

Isso leva-me à próxima: quanto do B Fachada é que cabe neste disco? Porque uma pessoa ouve o disco e nota ali uma influência muito grande, principalmente do Criôlo...

É exactamente isto... o B foi o produtor do disco, é meu amigo, construímos uma relação muito porreira de amizade a partir do facto de fazermos música e, lá está, é mais um destes casos em que a idolatria é completamente injustificada. Vais conhecendo as pessoas... eu sempre gostei imenso do B, desde que comecei a fazer música que gosto do trabalho do B, e à medida que o B foi ficando mais pessoa e menos artista foi muito mais fácil aprender coisas. Sim, claro que há muito dele aqui.

Nunca foste de endeusar músicos de quem gostas?

Acho que toda a gente passa um bocado por essa fase. Eu também sou um consumidor de música como outro qualquer: há coisas que me entusiasmam e coisas que não me entusiasmam. Por exemplo, tenho ouvido a Angel Olsen, gosto muito do disco dela, mas já não me apequena... acho-o um disco lindo e muito humano, mas não me apequena. É mais nesse sentido: não podes estar sempre a apequenar-te. As pessoas todas levaram muita porrada para fazerem um bom trabalho, não é uma coisa que saia assim do nada, e é por isso que se torna cada vez mais "estúpido" endeusar.

Ainda por cima numa altura em que parece que já não há "deuses"...

Pois, isso é a outra parte da questão. Eu falo como gajo que faz canções. Obviamente que como público não gosto de imaginar o Bob Dylan sentado na sanita a fazer cocó... [A falta de "deuses"] é uma cena de twitters e instagrams e não sei quê. A mim não é uma coisa que me interesse, [mas] é uma coisa diferente... também não sou a pessoa mais indicada para falar sobre o que é que a Internet trouxe ou não porque eu não me lembro de não ter Internet.

E se um dia alguém te endeusar a ti?

Ah, não o vão fazer... acho que estou muito perto, mesmo musicalmente, das pessoas. Não tenho uma postura muito rockstar.

Porquê Último Siso?

Acho que é fácil saber porquê...



Consideras que é um sinónimo para maioridade? Porque este disco é bastante diferente do Gância e do EP: já não notas assim tantos "erros", tem uma produção muito mais trabalhada...

Quase, quase... começo sobretudo a fazer mais canções para mim, para eu cantar, em vez de tentar adaptar-me às canções que eu quero fazer. Este disco é um disco muito mais "meu": em vez de estar a tentar pôr as canções que eu gostava de fazer, de tentar tirá-las de um sítio qualquer da minha cabeça, é mais uma questão de moldar as canções àquilo que eu sou. Não há assim uma referência muito vincada daquilo que são estas canções e isso torna muito mais fácil a execução, no fim. Tocas tudo muito melhor.

O Gância sempre me pareceu que era um disco de canções soltas: tu escreveste aquelas canções e juntaste-as num disco. Este tem um fio condutor muito maior.

Sim, eu fiz as canções todas para este disco, e mesmo em termos de método são mais parecidas, há uma forma. Não é bem um tratado de estilo mas podia ser. Mudei a forma como faço canções do Gância para aqui e acho que isso se nota, para bem. É mesmo pop, é mesmo para as pessoas. Eu também nunca tive a consciência de estar a ser ouvido; é o primeiro disco que eu faço com essa consciência... os outros não, foi sempre mais "para fazer".

Porquê a escolha do Alvito, e já agora porquê a demora? No ano passado tinhas dito que estavas a contar que saísse no inverno...

Isso são coisas minhas... [risos] eu acho sempre que vou chegar ao fim sem ter que passar pelo meio, em que levo imensa porrada. Tipo Power Rangers: há sempre, depois, um Megazord... tu queres sempre ver um episódio naquela inocência de acreditar "pá, mataram o mau, e o mau 'tá morto". No fim é tipo "Whoa, Megazord!", porque o mau fica gigante... é um bocado isso. Eu acho sempre que estou mesmo quase a acabar e isso não é verdade. O Alvito é bué fixe, porque é onde fica o estúdio do Luís Nunes - o Walter Benjamin - de cujo trabalho eu gosto imenso. Acho que ele é mesmo bom a trabalhar com som. Ele tem lá o estúdio/casa dele, já trabalhou montes de vezes com o B, e então achámos que era bom ir para lá e gravar tudo em cinco dias.

Já tinhas as canções prontas antes de ir para lá? O ambiente influenciou-te nalguma coisa?

Tudo, tudo preparado. [Influenciou] Um bocado, porque estivemos lá cinco dias: eu, a Júlia, o Abras, o Nacho, o B e o Luís Nunes, sempre a trabalhar. Não houve propriamente uma quebra, e é óbvio que isso contribui para o facto do disco ter um som muito junto - não tem edits, os instrumentais foram todos feitos lá, gravados para fita - o que também é óptimo, porque te dá um som muito mais coeso. E depois trabalhar com aqueles dois... é uma coisa que me entusiasmou imenso desde a primeira vez que essa ideia foi lançada para o ar, e correu mesmo bem.

Foste tu quem lhes propôs trabalhar no disco ou o contrário?

O B propôs-se para produzir o disco, e eu obviamente aceitei. Mal sabia eu, coitado de mim... [risos] Quanto ao Luís Nunes, eu e o B chegámos à conclusão de que era uma boa forma de o gravar. É bué fixe estares a gravar e depois não chegares ao fim do dia de trabalho e ires para casa. É fixe e não é: por um lado estás sempre a trabalhar, o que é uma grande seca... vais dormir, acordas, pegas logo e 'tás a trabalhar até à morte. Basicamente é isso, estás a gravar coisas até não conseguires mais, e no dia seguinte a mesma coisa. Foi muito intenso, e isso é bom.

O disco até acaba contigo a perguntar se era preciso mais um take...

Sim, sim... depois ele diz "não há mais fita", e eu todo contente "boa, temos de parar!" [risos]

A "Não Tratei" começa no duche. Costumas cantar no duche, canções tuas ou de outros? Alguma vez tiveste a ideia de escrever uma canção enquanto estavas no duche?

Sim, muitas vezes. Minhas não, acho que se nota... [risos] Acho que nunca tive essa ideia, eu no duche é mais clássicos dos anos oitenta, ou Fleetwood Mac, tipo a "Go On Your Way". Essa eu rocko. Mas a maioria das vezes tento cantar no duche quando não está ninguém em casa.



Tens vergonha?

Pá, sim. A cena do duche é que tu achas que estás sempre a cantar muito melhor do que na realidade estás. Na casa de banho tens bué eco.

Isso quer dizer que ainda tens vergonha de cantar ao vivo?

Vergonha? Não. Parecendo que não eu sou muito perfeccionista e quero que as pessoas, já que pagaram bilhete, tenham o melhor possível, fico sempre com [vontade] de fazer um bom espectáculo ou um concerto fixe em que as coisas sejam bem tocadas. Como me preparo imenso já não fico muito nervoso, ou pelo menos nada que se compare com o início.

Até porque com este disco já não podes usar a desculpa que se associa à Cafetra de "quem gostar gostou, quem não gostar paciência"...

Sim, mas também não estou preocupado com isso; primeiro é sempre para mim. A cena é que quando sabes bem o trabalho que fizeste já não tens medo. Não dás descrédito porque toda a gente tem razão sobre tudo, mas se tu conheces bem as tuas canções e conheces bem o processo e sabes o porquê das coisas não as vais cantar a medo. Sabes, basicamente, que não estás a enganar ninguém. Não há truques; é aquilo e sabes por que o fizeste. Eu adoro tocar ao vivo, não lido nada mal com isso, mas às vezes claro que penso: "sou algum palhacinho para estar aqui a fazer macacadas para o pessoal"? Depois não, acho natural que as pessoas queiram ver música ao vivo.

E se um dia tivesses que abrir o concerto do Bob Dylan? Esse nervoso já existiria?

Ia lá com bué discos para dar, mas todos do Último Siso, mudava as capas e... [risos] acho que se eu fosse abrir e [o Bob Dylan] ouvisse o concerto provavelmente ficava meio à toa, achava que era tipo world music.

Considerando que este é um disco muito mais pop, ao contrário do Gância que ainda tinha para lá uma rockalhada e do EP que era meio lo-fi, achas que alguém te chamará Judas?

Espero que sim e espero que não... não é uma coisa que não me tenha acontecido já. Talvez, não sei [risos] Nem é uma cena de estilo: podia ter feito, com este disco, uma cena mesmo rockeira. Acho que as canções estão mesmo melhores, são melhores de se ouvir, até para mim, que não sou nada de estar a ouvir o meu trabalho vezes sem conta - acho que já ouvi este disco mais vezes que o Gância. Portanto, para o meu critério, este disco é mais fácil de se ouvir.

Considerando que tu e o Nuno Rodrigues são pessoas que vêm do rock, vêm de bandas, e agora têm projectos a solo, qual é que é a importância destes primeiros concertos serem com Duquesa?

O Nuno para mim é um verdadeiro. Gosto imenso dele. Nisto de tocar diz-se que se vai conhecendo imensa gente em concertos, outras bandas, etc., e eu por acaso nunca tive muito essa sorte... com Passos Em Volta tocámos com Glockenwise, como Éme toquei com Glockenwise, toquei com Duquesa no Lounge. Sempre me dei muito bem com o Nuno.

Vê-lo como um kindred spirit teu?

Mais ou menos. Acho que o Nuno é tão chill que nem é preciso sê-lo... dou-me muito bem com ele, gosto do trabalho dele, e por isso é fixe fazer estes concertos de apresentação com ele. Nós também sempre tivemos a ideia de fazer concertos juntos no norte, tipo em Barcelos - ele já tinha tido a ideia de tocar na Casazul. E o Passos Manuel é uma sala que eu adoro, achei ser uma experiência boa para partilhar.

Tu aceitaste recentemente o desafio dos dez livros que mais te marcaram...

Pois foi, mas bué discretamente... tentei ser muito discreto, não queria responder [risos]

«Mais do que morrermos todos, custa-me a dificuldade de dar forma escrita ao que acabei uma vez mais de rabiscar». Isto é d'A Noite E O Riso, do Nuno Bragança, um dos livros que escolheste. Tu sentes esta dificuldade de dar forma às canções quando compões?

Não, não. Lá está: acho que isso também parte daquilo que disse sobre não ser grande rockstar. Comecei a fazer canções por ouvir música e ler imenso quando era mais novo; antes disso era daqueles putos bué irritantes, na escola, que achavam que eram bué eruditos, e poetas... quanto à dificuldade de dar forma escrita, não, eu consigo sempre tirar uma inspiração qualquer de um sítio para começar a dar-lhe forma. Nem sei bem explicar como o faço. Mas há sempre um gatilho qualquer.

Começas por escrever ou por compor a melodia?

Não sei bem. Basicamente, tento sempre ter a métrica no lugar. Isso é a única coisa importante. Claro que penso onde é que hei-de pôr as palavras, mas é algo meio natural. O gatilho é sempre escrito, é sempre alguma coisa que vi escrita ou que me disseram. Portanto, nunca foi muito difícil - e isso até é um problema, porque não sei bem como o fazer... [risos] posso nunca mais fazer uma canção, não sei bem como se fazem canções.



Tu tens lá em casa algum acervo com canções inacabadas ou não és desse tipo de músicos?

Nah, deito-as logo fora e esqueço-me. Para mim um critério muito bom é lembrar-me logo da melodia: se me esqueço dela é porque não era boa o suficiente. Aqui, pelo menos, resultou bem. Tento não forçar muito as canções que não estou a conseguir fazer e forço as que estou. Não há uma grande magia à volta disto.

Estas canções do Último Siso foram as únicas que levaste para o Alvito?

Tinha feito outras dez canções entre o Gância e o Último Siso. Mas não estava a gostar muito delas... e como não tinha a frieza suficiente para as deitar fora, chegou o B e disse "pá, isto vai fora". Estas nunca verão a luz do dia. E eu achei isso boa ideia, é óptimo quando não dás muita importância a isso. Passámos o disco todo a gozar com essas canções. É óptimo quando não te pões num patamar em que pensas "é uma canção que eu fiz, não pode ir fora, isto é importantíssimo"... se fazes uma canção de merda deita-la fora e fazes outra que seja boa. É preciso que saibas gozar com as tuas cenas, e com as dos outros, e isso sempre tivemos na 'Fetra. Às vezes é extenuante, contudo... até a minha mãe goza: uma vez estava a sair de casa para um concerto e a minha mãe diz-me "achas que um lugar é assim tão difícil de encontrar?" e eu "ya, obrigado, mãe"... mas é muito bom poderes gozar com as canções que fazes, não lhes dares um ar "sacro".

Acaba por fazer parte daquele processo de humanização de que falavas.

Obviamente. É claro que para mim as canções têm um significado muito grande, de apego emocional. Tirando isso são só canções. Até com as minhas emoções normais consigo gozar... não é por ser trabalho que é mais intocável.

Vamos voltar ao primeiro EP num instante. Fala-me do "Gato Amigo", que é uma canção que quase me fez chorar porque o meu gato morreu recentemente... alguma vez choraste numa canção?

Essa canção é para um gato que morreu, lá está... claro, já chorei. Bill Fay, "My Eyes Open". Nem sou muito de chorar mas quando está mesmo a puxar a lágrima [acontece].

Tu preferes canções tristes ou canções mais alegres? Já disseram que Éme era tu a seres mais triste do que costumas ser em Passos Em Volta...

Gosto de tudo. Agora em Éme já não é bem assim, já está tudo mais misturado. E é mais fixe assim, quando misturas. Olha para os Beach Boys: a "Wouldn't It Be Nice" será sempre "wouldn't", mas não é uma canção triste. Eu gosto disso, de não saberes como é suposto ser. Não são só acordes menores que fazem uma canção triste. Tem a ver com tudo. Lá está, as pessoas não são estúpidas: não é por usares acordes menores que as vais pôr a chorar.

As tuas canções são confessionais? Queres falar-me da "Lisa"?

Sim, sim. Têm sido. A "Lisa" é uma espécie de canção de amor-ódio: não vais estar, por exemplo, a fazer uma canção sobre uma cidade de que não gostas...

Os Ermo fizeram. Sobre um local em Braga, a "Projéctil"...

Mas isso não é uma cidade inteira. Eles devem sentir pelo menos uma repulsa especial por esse sítio... eu por Lisboa não tenho repulsa nenhuma, gosto de Lisboa, sou daqui. A "Lisa" é isso, uma canção de amor-ódio meio confessional mas ao mesmo tempo meio a brincar.

Consideras-te um artista de Lisboa ou estas canções poderiam ter surgido em qualquer lado?

Não, acho que não poderiam ter surgido em qualquer lado. Por isso é que o Bob Dylan iria achar que eu era um gajo da world music... claro que a música não é uma coisa isolada. Sei lá - eu gosto de estar incluído num todo, de fazer parte de um todo, não quero acreditar que sou o princípio ou o fim do que seja, e nesse sentido gosto de fazer parte dos músicos de um certo sítio, seja Lisboa, Portugal, o que for. Não me sinto isolado.

Considerando que os teus discos param regra geral no Bandcamp e as pessoas podem descarregá-los se bem o entenderem, quando é que fazes uma parceria com a Apple para um disco teu for lançado com o novo iPhone?

Pá, se eles quiserem... Apple, se estiverem a ler, estou aberto a sugestões [risos]

Tu continuas a comprar discos?

Agora tenho estado meio falido, mas sim. Porque sou muito pouco internauta. Tenho comprado ou então vou ao Grooveshark, ou assim. Mas tenho comprado menos discos este ano.

Cenas tipo folk, a la Angel Olsen?

Não, nem tenho ouvido muita música do género. Tenho amigos que ouvem bué cenas e ouço sobretudo o que eles me mostram. O Pedro Marques, que vai passar som no concerto na Casa Independente, conhece música óptima, de imensos sítios. Eu vou pegando em algumas coisas de que gosto, mas são coisas inusitadas... quer dizer, são normalíssimas, para nós é que são inusitadas.

Dentro da Cafetra continuas a ser o gajo da folk?

Não sei. A folk é uma música assim "americana", e o que eu faço já não é tanto. Talvez no início fosse uma tentativa de fazer algo nesse estilo, mas agora nem me consigo definir assim. Eu costumo dizer que são canções. Tu ouves a "Um Lugar" e aquilo não é minimamente folk. São canções, com um contexto específico mas sem um confinamento categórico tão grande. Podem inventar um nome, se quiserem. Não é lol-fi...

Há uma fotografia que puseram no teu mural em que apareciam cinco raparigas e a legenda era "cinco gatinhas a caminho do concerto de Éme". Estás a espera que haja gatinhas nestes concertos que vais dar?

Devia ser outro Éme... [risos] Se vierem gatinhas são bem-vindas. Se não vierem gatinhas e vierem gatinhos também são bem-vindos. Pá, dá para tudo... tipo festa académica.

Quando é que começas a tocar em Queimas das Fitas?

O mais brevemente possível...
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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