ENTREVISTAS
Bill Orcutt
Como a guitarra canta
· 03 Out 2011 · 23:25 ·

Já deve ter respondido a isto dezenas de vezes, mas não posso deixar de perguntar qual a razão de uma ausência de 12 anos
Comecei a tocar novamente depois de ter reunido uma compilação da minha banda anterior (Harry Pussy) para a Load Records em 2008. Tinham-se passado 11 anos desde a última vez que tinha ouvido aquilo que tínhamos feito e o processo de escolher temas pôs-me interessado em tocar novamente. Após tocar durante cerca de um ano, senti que tinha algo que queria gravar.
Durante esse tempo, continuaste a tocar?
Toquei apenas ocasionalmente e de um modo mais convencial, sempre com seis cordas em vez de quatro.
Qual era a tua relação com a música (incluindo a tua própria) durante esse tempo? Houve algo que fosse particularmente influente?
Sempre segui música enquanto fã e ouvi muitos dos discos que ando a ouvir agora, reedições de jazz e cenas assim. A ligação foi muito casual. Maioritariamente, ouvia música enquanto trabalhava. Como não andava a tocar não havia qualquer influência.
Uma das diferenças fulcrais entre os tempos dos Harry Pussy e o trabalho a solo é a passagem da guitarra eléctrica para a acústica. O que motivou essa mudança?
Comecei a tocar guitarra acústica por razões práticas : era mais calmo e menos passível de perturbar a minha família ou os vizinhos. Quando comecei a gravar tentei regressar à guitarra eléctrica mas já estava habituado ao som e ao feel da acústica e decidi manter-me com ela. Ultimamente tenho tocado de novo guitarra eléctrica, numa de mudar.
Quão importante é aquela guitarra "degradada" que usas no som que procuras?
Estou bastante ligado a ela. Tenho mais umas poucas guitarras do mesmo modelo e ano, mas elas não soam do mesmo modo, provavelmente por não estarem tão “degradadas”. Geralmente soa bem sem grande esforço. É usual gravar na minha sala de estar com o meu laptop e soa bastante bem.
É música completamente improvisada ou segue uma determinada estrutura como uma canção?
Tipicamente, baseio uma peça em torno de uma escala ou duas e alguns acordes ou algo do género e sigo um determinado feeling.
E quando achas que uma determinada música está completa?
Toco até achar que devo parar.
A New Way to Pay Old Debts foi um disco absolutamente calculado ou foi apenas uma maneira de lançar coisas que andava a trabalhar na altura?
Gravei durante alguns meses, tentando diferentes abordagens até encontrar algo que me deixasse satisfeito. Dessas gravações lancei um single e quando esse esgotou, lancei um LP.
Houve alguma diferença no processo de composição/gravação de How the Thing Sings?
Nem por isso – Saía do trabalho e gravava todos os dias. Sequenciei os melhores takes e ficou feito.
Os 7" de edição limitada que vai editando na Palilaia podem ser vistos como retratos mais imediatos de todo esse processo?
Continuo a lançar coisas na minha editora (saíram três singles este ano) de modo a ter merchandise para vender nos concertos e documentar coisas em que estou a trabalhar. Até ao momento faz tudo parte do mesmo projecto – eu a tocar guitarra acústica.
Uma das diferenças entre A New Way... e How the Thing Sings é o uso mais proeminente da voz. Foi consciente?
Bem, a guitarra está mais contida o que torna a minha voz mais audível. Além disso, provavelmente ando menos nervoso com isso, por isso se acontecer fazer um determinado som sigo-o.
Qual a origem do título do disco?
Veio de uma biografia do Bill Evans que eu li, How My Heart Sings (é também o título de um dos discos dele).
Como vês este último disco em comparação com o anterior? Existe um contínuo?
Comparando com o disco anterior, é diferente de algumas maneiras : é completamente acústico (não houve envolvimento de qualquer amplificador ou pickup) e organizado com se fosse um concerto no modo com flui para a duração de um lado em vez de um set de canções discretas.
Como é que isso se traduz num concerto? Há muito planeamento prévio
Sou bastante espontâneo embora, normalmente, tenha algumas coisas em que ando a trabalhar que quero tocar. Este ano andei a tocar “A Line from Ol´ Man River” em todos os concertos mas não sei se o irei fazer nesta digressão europeia agora que a canção já foi editada. De algum modo sinto-a como terminada...
E o que tens andado a ouvir?
As mesmas coisas de sempre : Miles, Dylan, Hendrix, Stones, Chuck Berry, etc. Acabei de comprar a nova bootleg box do Miles de 67 e ando a ouvir muito isso...
Bruno SilvaComecei a tocar novamente depois de ter reunido uma compilação da minha banda anterior (Harry Pussy) para a Load Records em 2008. Tinham-se passado 11 anos desde a última vez que tinha ouvido aquilo que tínhamos feito e o processo de escolher temas pôs-me interessado em tocar novamente. Após tocar durante cerca de um ano, senti que tinha algo que queria gravar.
Durante esse tempo, continuaste a tocar?
Toquei apenas ocasionalmente e de um modo mais convencial, sempre com seis cordas em vez de quatro.
Qual era a tua relação com a música (incluindo a tua própria) durante esse tempo? Houve algo que fosse particularmente influente?
Sempre segui música enquanto fã e ouvi muitos dos discos que ando a ouvir agora, reedições de jazz e cenas assim. A ligação foi muito casual. Maioritariamente, ouvia música enquanto trabalhava. Como não andava a tocar não havia qualquer influência.
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Uma das diferenças fulcrais entre os tempos dos Harry Pussy e o trabalho a solo é a passagem da guitarra eléctrica para a acústica. O que motivou essa mudança?
Comecei a tocar guitarra acústica por razões práticas : era mais calmo e menos passível de perturbar a minha família ou os vizinhos. Quando comecei a gravar tentei regressar à guitarra eléctrica mas já estava habituado ao som e ao feel da acústica e decidi manter-me com ela. Ultimamente tenho tocado de novo guitarra eléctrica, numa de mudar.
Quão importante é aquela guitarra "degradada" que usas no som que procuras?
Estou bastante ligado a ela. Tenho mais umas poucas guitarras do mesmo modelo e ano, mas elas não soam do mesmo modo, provavelmente por não estarem tão “degradadas”. Geralmente soa bem sem grande esforço. É usual gravar na minha sala de estar com o meu laptop e soa bastante bem.
É música completamente improvisada ou segue uma determinada estrutura como uma canção?
Tipicamente, baseio uma peça em torno de uma escala ou duas e alguns acordes ou algo do género e sigo um determinado feeling.
E quando achas que uma determinada música está completa?
Toco até achar que devo parar.
A New Way to Pay Old Debts foi um disco absolutamente calculado ou foi apenas uma maneira de lançar coisas que andava a trabalhar na altura?
Gravei durante alguns meses, tentando diferentes abordagens até encontrar algo que me deixasse satisfeito. Dessas gravações lancei um single e quando esse esgotou, lancei um LP.
Houve alguma diferença no processo de composição/gravação de How the Thing Sings?
Nem por isso – Saía do trabalho e gravava todos os dias. Sequenciei os melhores takes e ficou feito.
Os 7" de edição limitada que vai editando na Palilaia podem ser vistos como retratos mais imediatos de todo esse processo?
Continuo a lançar coisas na minha editora (saíram três singles este ano) de modo a ter merchandise para vender nos concertos e documentar coisas em que estou a trabalhar. Até ao momento faz tudo parte do mesmo projecto – eu a tocar guitarra acústica.
Uma das diferenças entre A New Way... e How the Thing Sings é o uso mais proeminente da voz. Foi consciente?
Bem, a guitarra está mais contida o que torna a minha voz mais audível. Além disso, provavelmente ando menos nervoso com isso, por isso se acontecer fazer um determinado som sigo-o.
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Qual a origem do título do disco?
Veio de uma biografia do Bill Evans que eu li, How My Heart Sings (é também o título de um dos discos dele).
Como vês este último disco em comparação com o anterior? Existe um contínuo?
Comparando com o disco anterior, é diferente de algumas maneiras : é completamente acústico (não houve envolvimento de qualquer amplificador ou pickup) e organizado com se fosse um concerto no modo com flui para a duração de um lado em vez de um set de canções discretas.
Como é que isso se traduz num concerto? Há muito planeamento prévio
Sou bastante espontâneo embora, normalmente, tenha algumas coisas em que ando a trabalhar que quero tocar. Este ano andei a tocar “A Line from Ol´ Man River” em todos os concertos mas não sei se o irei fazer nesta digressão europeia agora que a canção já foi editada. De algum modo sinto-a como terminada...
E o que tens andado a ouvir?
As mesmas coisas de sempre : Miles, Dylan, Hendrix, Stones, Chuck Berry, etc. Acabei de comprar a nova bootleg box do Miles de 67 e ando a ouvir muito isso...
celasdeathsquad@gmail.com
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