DISCOS
Arcade Fire
The Suburbs
· 22 Nov 2010 · 10:49 ·
Arcade Fire
The Suburbs
2010
Merge / Universal


Sítios oficiais:
- Arcade Fire
- Merge
- Universal
Arcade Fire
The Suburbs
2010
Merge / Universal


Sítios oficiais:
- Arcade Fire
- Merge
- Universal
Banda de copo bem cheio regressa com um meio vazio.
Habituados a um sucesso imediato numa escala que bem cedo se revelou planetária, os Arcade Fire são um de muitos grupos que têm a difícil tarefa de ir mostrando serviço a cada disco que passa. No seu caso, mais flagrante ainda, por se tratarem dos compositores de alguns dos maiores hinos que o universo indie já conheceu – sobretudo graças à explosão que Funeral proporcionou em 2005.

Eis que 2010 surge, impiedoso, e com ele chega The Suburbs, aguardado terceiro álbum dos canadianos. Temendo um retrocesso aos temas épicos que marcam toda a sua musicalidade – o que não seria necessariamente mau – ou perspectivando uma aproximação a mais gente ainda, o certo é que isso resultou num conjunto de canções relativamente banais, salvo raríssimas excepções, e que parecem sobreviver apenas à custa do “selo de qualidade” dos Arcade Fire. Mas isso não chega. Estaremos mal habituados? Talvez por gostarmos, isso sim, de ser mimados com temas de cortar a respiração e capazes de nos arrepiar da cabeça aos pés, ou não fosse Funeral um dos momentos absolutamente incontornáveis da última década.

É aqui que reside o problema, como em tantos outros casos: o elevar da fasquia, nos Arcade Fire, já não é possível. Como nos afirmavam aqui há tempos, “se este fosse o primeiro disco deles ninguém poupava nos elogios”. Isto resulta, na sua música, num poupar de forças e, por último, num disco “levezinho”, pouco entusiasmante. Está longe, obviamente, de ser o melhor trabalho dos canadianos, onde contamos apenas o aditivo de uns sintetizadores da moda. Uma linha ou outra, nada demais.

Mas não se pense que The Suburbs é um vómito musical. Nada disso. Até é um disco em crescendo e que acaba melhor do que começa. Mesmo assim, “Ready To Start”, logo no segundo posto do alinhamento, é a excepção numa primeira metade bem aborrecida, resultando num agradável aperitivo para estender a passadeira a canções de maior envergadura. As coisas melhoram lá para “Half Light” (I e II), voltando a piorar em “Month Of May” – pura divagação rock n’roll que jamais terá lugar no caminho que os Arcade Fire decidiram tomar.

Devaneios ultrapassados, eis que chegamos ao que interessa de facto neste disco – leia-se a partir de “We Used To Wait”. Aqui, é tempo de regressar aos grandes temas, às melodias que não poupam no dramatismo até alcançar o acorde da tónica, em que os ritmos se empolgam e as cordas – desde as guitarras, passando pelos violinos e, por fim, o piano – assumem um papel transcendental na harmonia, onde a voz de Win Butler é rainha. E embora a melancolia que mais gostamos nos canadianos domine a primeira parte de “Sprawl”, é o contentamento do seu segundo episódio que mais nos satisfaz, curiosamente conduzido pela voz (não poucas vezes irritante) de Régine Chassagne.

É caso para dizer que 2010 não era o ano dos Arcade Fire. Ou pelo menos do seu terceiro disco. Tinha-nos sabido tão melhor um EP com o punhado de maravilhosas canções que marcam presença em The Suburbs, que é um copo meio vazio de uma banda de copo bem cheio.
Simão Martins
simaopmartins@gmail.com
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