DISCOS
Mercury Rev
Snowflake Midnight
· 03 Out 2008 · 00:18 ·
Mercury Rev
Snowflake Midnight
2008
V2 / Cooperative Music / Nuevos Media


Sítios oficiais:
- Mercury Rev
- V2
- Cooperative Music
- Nuevos Media
Mercury Rev
Snowflake Midnight
2008
V2 / Cooperative Music / Nuevos Media


Sítios oficiais:
- Mercury Rev
- V2
- Cooperative Music
- Nuevos Media
Um álbum de viragem para uma abordagem mais electrónica. Uns dirão que é audácia, outros vão aborrecer-se.
Há pelo menos três álbuns (desde Deserter's Songs, de 1998) que os Mercury Rev nos tocavam pelo coração. Ouça-se, por exemplo, “Endlessly”: nunca uma banda esteve tão perto de transpor numa canção o sonho de uma tarde de Primavera, com passarinhos a chilrear, prados verdejantes e demais utopias campestres. De Deserter's Songs para a frente, a abordagem foi sempre sinfónica e etérea, embora progressivamente mais convencional e próxima do rock mais clássico (Secret Migration, de 2005, foi uma clara desilusão).

Snowflake Midnight – lançado no mesmo dia que Strange Attractor, um longa-duração instrumental gémeo, disponível gratuitamente na Internet, apenas a troco da subscrição da mailing list da banda – mostra-nos uns Mercury Rev num novo ciclo: mais cerebral, electrónico, fruto de aturado trabalho de estúdio. O objectivo parece continuar a ser o mesmo: elevar os ouvintes numa espécie de ascensão espiritual ou catarse emocional. Por isso, uma boa parte das faixas, como “Snowflake in a Hot World”, “Senses on Fire” ou “People are so Unpredictable” têm um pendor notoriamente épico. Nesse sentido, o grupo aproxima-se mais do carimbo pós-rock do que nunca. Mas também há um lado festivo (a espaços quase dançável) em “Dream of a Young Girl as a Flower”, o melhor momento do disco, uma colagem de quase oito minutos de diferentes texturas e melodias. Se as restantes canções atingissem este nível, estávamos muito bem.

Porém, muitos fãs dos Mercury Rev vão sentir-se desiludidos com Snowflake Midnight: as guitarras fugiram, a bateria é largamente substituída por caixas de ritmos, o lirismo do passado desapareceu. Também não vão faltar aplausos para o arrojo do colectivo americano, que ousou mudar de abordagem estética, mas uma coisa é certa: este é um disco que necessita de uma concentração quase completa para ser apreendido e que não serve como um objecto de prazer imediato (não funciona no carro, pode desde já avisar-se).

É também um álbum que é em muitos aspectos anti-cool: trata-se de uma banda que entra no comboio da electrónica fora de tempo, pescando elementos descendentes de Brian Eno e mesmo de projectos mais recentes como Röyksopp, múm ou Boards of Canada. É um trabalho sem concessões, difícil de digerir. O veredicto pessoal de cada um (inventivo ou aborrecido?) depende em grande parte da atenção que lhe prestarmos. O nosso veredicto: éramos bem capazes de mandar os Mercury Rev de volta ao estúdio para retrabalhar metade das músicas e descomplicá-las.
João Pedro Barros
joaopedrobarros@bodyspace.net
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